sábado, 10 de outubro de 2026

Luiz Francisco

 

Ouvi certa vez a seguinte história de autoria popular ( que aqui parafraseio e interpreto): de um lado estava São Francisco, do outro o Diabo. Separando a ambos ,  um muro; e em cima do muro estava  alguém que se dizia “Neutro”.

 Francisco  disse ao “Neutro”: “- Venha para este lado, aqui há luz e  empatia  pela vida do outro.” Do   lado oposto do muro , porém, o Diabo permanecia calado.

Vendo  o “Neutro” ainda indeciso e  parado, Francisco  prosseguia : “- Venha se juntar a nós , Buda também está aqui; também estão Lao-Tsé, Confúcio,  Orixás , Tupã, Mães-de-Santo,  Pajés ... Também estão   todos aqueles que, tendo ou não religião,  agiram para defender e libertar  os oprimidos e injustiçados. Olha quem acaba de chegar: Nossa Senhora  Aparecida e seu  manto azul cheio de estrelas...”

Estranhamente, o Diabo seguia mudo, ele que gosta tanto de se vangloriar...

Então, Francisco levantou a cabeça , olhou sobre o muro e indagou ao que reinava na treva  do outro lado : “- Por que você   permanece  calado?”

“- É que esse muro onde o ‘Neutro’ está  instalado  pertence a mim”, disse o Diabo.

Do certo lado do muro, o poeta Manoel de Barros assim poetizou: “São Francisco monumentou os passarinhos.”

 

 

(obs: o texto  se refere ao personagem social-popular Francisco, um personagem muito presente na  literatura de  cordel do nosso Nordeste. O tema, portanto,   não é tratado do ponto de vista de uma religião, mas a partir de uma perspectiva  política plural-inclusiva. Foto :  de um lado,   Lula e o povo que está do lado certo  ; do outro, o miliciano e seu  Mefistófeles...)






 

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