quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

das virtudes e dos vícios...


Foram os gregos que criaram a noção de virtude. A virtude é um tema no qual política, ética e educação  misturam suas fronteiras. A palavra “virtude” aparece pela primeira vez no poeta Homero. “Virtude”  vem de “vis”:  “força”. Não a força física, mas a “força em potencial” que nasce da corda tensa do arco. A virtude, tal como o arco tenso, é uma força que sempre impulsiona para frente: o arco impulsiona   flechas, a alma virtuosa tem força para lançar longe suas  ações ou palavras,  educando pelo exemplo. O contrário da virtude é o “vício”: enquanto   a virtude fortalece o caráter ( “ethos”) , o vício o enfraquece e corrompe. Os vícios são de duas espécies: ora ele é a ânsia  de acúmulo, como na ganância, ora ele é carência ou falta, como na covardia. A  virtude, não importa qual, é a “justa distância” entre a falta e o acúmulo. Por exemplo, o pensar é uma virtude. Mas a pretensão de se achar conhecedor de tudo  gera o “sofista”, que só na aparência parece um pensador. O sofista  tem o vício de acumular retóricas  como o banqueiro egoísta  que acumula capital: a serviço da ganância egoica. O pensar, ao contrário, é sempre produtivo e se partilha generosamente, potencializando o coletivo. O vício da falta de pensamento se chama “ignorância cheia de si”, e que nada tem a ver com  a ausência de estudos  de quem não teve a oportunidade de ir à escola ,  porém  se esforça para compreender o mundo. A “ignorância cheia de si” nada sabe do esforço que envolve o autêntico aprender e vive a vociferar opinião rasteira e intolerante    sobre tudo, além de não saber ouvir quem pensa diferente  . As redes sociais deram voz e voto a tal ignorância, e o resultado todos estamos vendo: há uma estranha cumplicidade entre os dois tipos de  vícios no ódio ao pensar libertário,  de tal modo que a “ignorância cheia de si” demoniza  o pensar e cultua   “Gurus-Sofistas” ( como o Olavo...). A “ignorância cheia de si” deste governo  é uma séria ameaça ao   pensamento e ao seu despertar  na educação das crianças. 
                                                                                                            
( foto: um dos momentos da “Aula Magna” , praticamente às moscas, do ministro da educação , que passa boa parte da “aula”  demonizando o “anarquismo”)


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

dioniso


Na Grécia, o carnaval nasceu como festa dedicada   a Dioniso, o deus das artes. Naquela época, Dioniso era o símbolo do “triunfo da vida”. Não o triunfo de uma vida sobre outra vida, mas triunfo da vida resistindo àqueles que a querem   morta, nos vários sentidos que a palavra “morte” tem. Segundo o mito, foi Dioniso que ensinou esse triunfo   aos homens.  Aconteceu assim : quando era ainda criança, Dioniso foi despedaçado pelos seus irmãos maiores, movidos por ciúme e inveja. Sabia-se que Dioniso tinha uma metade humana e outra metade divina, uma metade mortal e outra que nunca morria. Mas qual era a parte divina dele? Ninguém sabia...Exceto Zeus. Então, quando Zeus viu Dioniso-criança despedaçado, buscou entre as partes a que era divina, pois somente essa parte  pode resistir aos carrascos da vida. Era o coração a parte onde é mais potente a  vida. Zeus pegou o coração de Dioniso-criança e dele fez nascer novamente Dioniso. Isso explica seu nome: “Di-oniso”, “duas vezes nascido”. Quando nasceu a primeira vez, Dioniso veio ao mundo chorando, como  todo recém-nascido ; ao renascer , porém, Dioniso  saiu  do coração sorrindo , na alegria do   triunfo da  vida.  Esse triunfo não foi fruto de promessas ou esperanças, ele foi  obra da primeira das artes : a  arte de  tornar a vida de novo nascente, nesta vida e não noutra. Tal triunfo vinha acompanhado de uma potente alegria semelhante a uma embriaguez .  Não a embriaguez por excesso  alcoólico,    mas  a embriaguez  pelo excesso de vida .   Manoel de Barros, ébrio de poesia , chama  de “deslimite” a tal excesso que não deixa  morrer a vida: “Na ponta do meu lápis há apenas nascimento” (Manoel de Barros).

“É preciso embriagar-se...Mas  com quê? Com vinho, poesia ou virtude , a escolher. Mas embriaguem-se! ” (Baudelaire)





Em grego, “embriaguez” se escreve assim:  “bacchus”. Quando os romanos deram o nome de “Baco” a Dioniso, enfatizaram apenas um dos aspectos de Dioniso, não a sua simbologia como um todo: reduziram a embriaguez ( “bacchus”) ao estado provocado pelo vinho , ignorando que a embriaguez dionisíaca tinha originalmente muitos outros  sentidos. Imagem abaixo : “O triunfo de Dioniso”, autor anônimo, século III aC.


domingo, 24 de fevereiro de 2019

as coisas favoritas

MINHAS COISAS FAVORITAS

O céu de maio
O primeiro copo de água do dia
O escuro da sala que antecede o filme
O desenho sem esboço da criança
Reinventar o vivido pela palavra
As ruas do Centro no fim da tarde
Nem o fim e nem o começo, mas o meio
Não estar fora nem dentro, mas no limiar
Ouvir música...ouvir música...ouvir música
Nem o ontem e nem o amanhã, mas o hoje
Não roubar o tempo de ninguém
As trilhas, mais do que os lugares no fim das trilhas
Reler num livro antigo um sentido novo
Dizer com ações mais do que com palavras
Estender-me ao horizonte
Ir sem mapa
Andar ao lado
Deambular enquanto penso no que li
Ver  pardais entre as folhas de uma amendoeira
Ir pelo mato re-sendo o índio que fui
Ver no céu tudo o que voa
Procurar nas árvores um verde que ainda não vi
Comer uma maçã antes de dormir




sábado, 23 de fevereiro de 2019

as ruas


Os gregos inventaram a “ágora” , a praça pública, como espaço-símbolo  da democracia.  “Ágora”  vem de “agon” : “conflito”  ou “disputa”. Na ágora aconteciam disputas  travadas com palavras.  Os romanos, por sua vez,  inventaram as ruas. Não como espaço político,  mas como meio de travessia   para além dos muros das cidades:  as ruas atravessavam  espaços livres e  não povoados.
A Revolução Francesa se inspirou no ideário da praça como espaço de poder a se contrapor aos templos da intolerância religiosa  e aos castelos dos senhores feudais. Surgem então os “parlamentos”: lugar onde se “parla”.  Radicalizando ainda mais a ideia de democracia, Espinosa dizia que mais importante do que a praça é a rua   como espaço comum onde a multitudo se move e age.  “Multitudo” é mais do que a mera “multidão”: multitudo é o agir   instituinte de uma multiplicidade ativa. A multitudo nunca cabe totalmente no espaço centrípeto das praças, pois somente no espaço centrífugo das ruas cabe o existir em movimento da multiplicidade política, cuja potência excede o poder de governos e Estados: enquanto a  força destes é a da mera polícia,   a potência da multitudo é o desejo comum por justiça e democracia. Da praça nasceu o parlamento para se opor aos templos e castelos. Mas quando o próprio parlamento se torna sucursal do templo teológico-político e de   mentalidades medievais encasteladas, somente as ruas podem nos restituir a liberdade que nos roubaram as urnas algemadas.  As praças simbolizam o centro das cidades, porém as ruas alcançam também as margens, conectando aqueles a quem o poder centralizador exclui e marginaliza.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

contra a corrente


O maior sábio da Grécia não foi Sócrates. O maior sábio foi Tirésias. E assim aconteceu: atrás da casa de Tirésias passava um rio. Do rio vinha a água que ele bebia e o alimento que ele pescava. Até que um dia Tirésias se fez uma pergunta: “De onde vem esse rio? Onde fica seu minadouro?”. Tirésias resolveu então  ir contra a corrente no esforço para achar a nascente. Somente  indo contra a corrente  se pode achar  nascentes, de rio ou de ideias . A fonte nunca vive no “acostumado” , no “mesmal”. Não demorou para alcançar  partes onde o rio, embora o mesmo, já não lhe era conhecido : viu em suas margens flores que nunca tinha visto, ouviu passarinhos dos quais não sabia o nome.  Enquanto prosseguia, não via trilhas ou pegadas. Hesitou, quase abortando sua “linha de fuga”. Até que ele olhou à frente e viu alguém a se banhar. Era Atena, a deusa da sabedoria. Ela estava nua... A  sabedoria precisa às vezes se banhar  para reinventar-se nova. Nas academias e bibliotecas  , a sabedoria se veste de livros e teorias. Ela nunca se mostra nua nesses lugares. Quem a conhece apenas assim  vestida pode  até se tornar  um teórico ou cientista, mas nunca será  um pensador ou poeta. Tirésias então percebeu que ao se despir das teorias é como poesia que a sabedoria então se mostra. A   autêntica sabedoria  é fonte que renova a si mesma , para que em nós  não seque a vida.

“A palavra abriu o roupão para mim:
ela quer que eu a seja.” (Manoel de Barros)






sábado, 16 de fevereiro de 2019

hermenêutica


Interpretação” em grego se escreve  “hermenêutica”. Na raiz dessa palavra está um nome: “Hermes”, a divindade que transporta as mensagens. Nem tudo é mensagem. “Atenas é a capital da Grécia” não é uma mensagem, é uma informação. “Mensagem” é tudo aquilo que requer o exercício de interpretação. Um poeta não escreve informações, ele cria mensagens; um filósofo não nos faz pensar com informações, ele nos envia mensagens. Informações apenas  engordam a memória, mensagens põem em ação a sensibilidade e o  pensamento. Informações somente  instruem, mensagens educam. Um horizonte, a abóbada celeste, o voo do albatroz, mares e desertos...também podem ser  mensagens . A natureza é mais mensagem a decifrar do que informação a decorar. Um acontecimento tornou Hermes  a divindade que transporta as mensagens : quando Dioniso era criança, seus irmãos mais velhos, movidos por ciúmes, o despedaçaram. Hermes então pegou o coração de Dioniso e o guardou consigo. Assim, Hermes apenas transporta as mensagens, mas o sentido delas cada um interpreta  conforme o coração que tem. Se o coração é pequeno, apequenará ; se o coração é generoso, acrescentará; se o coração é dissimulado, adulterará; se o coração é autêntico, não se esconderá.

“Não se descobre nenhuma verdade, não se aprende nada, se não por decifração e interpretação” (Deleuze)



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

os fluxos


                                                                A cisterna contém; a fonte transborda.
                                                                                    (William Blake)

No livro "O guardador de águas", Manoel diz que aprendeu  a guardar águas. Não ouro, dinheiro ou posses, mas águas. Guardar também é cuidar. As águas não são exatamente coisas, elas são fluxos. Cuidar dos fluxos é o oposto de construir cercas ,  gaiolas , gramáticas. Os fluxos são sempre desterritorializados e desterritorializantes : não se pode "passar régua" neles . Para guardar fluxos é preciso também  ser um. Ser fluxo não é ser “líquido”. Os líquidos são “voláteis” ( como a liquidez do Capital destes “tempos líquidos”...). Os fluxos correm entre as pedras , e nunca se submetem ao poder delas , vencidos.  O líquido é um estado contrário ao sólido, que nega o sólido; assim como o sólido, enquanto estado, também é uma negação do líquido. Apesar de opostos, sólido e líquido são estados, isto é , enfraquecimento ou despotencialização do fluxo: por enrijecimento de uma identidade , no caso do sólido; por tornar a diferença um clichê , no caso do líquido. Os fluxos não são estados :  eles são devires...
 O líquido se acostuma parado, se o  aprisiona   uma  cisterna. Mas um fluxo é feito o sangue nas veias:  se não   avançar, perece.  Os fluxos ou inventam linhas de fuga ou secam e morrem -  e a secar resistem com toda força que podem.
 Os fluxos somente podem ser guardados em espaços  abertos. E abertos se tornam a sociedade, a mente e o afeto se um fluxo de vida os atravessa. O fluxo é fluido, mas não é sem força ou volúvel; ele é firme, possui consistência, porém não é rígido. Pedras não  vencem o  avançar de um fluxo ,  enquanto viver a fonte da qual ele transborda.


                                                                                                                              



sábado, 9 de fevereiro de 2019

moral X ética


“Moral” não é a mesma coisa que “Ética”. “Moral” vem do latim “mores”, “costume”. “Ética” procede do grego “ethos”, que tinha um duplo sentido, e é aqui que reside a confusão..."Ethos” significava tanto “virtude” ( ou “caráter” ) quanto “costume”. A diferença entre um sentido e outro era dada pela forma de se pronunciar o “e” de “ethos”: se aberto , significava  “caráter” e “virtude” ; se  fechado,  “costume” ( a diferença era assinalada por um determinado sinal sobre a letra) .“Virtude” vem de “vis”: “força”. Não a força física, mas a força potencial. Essa palavra aparece no poeta  Homero ao falar da força que nasce da corda tensa do arco:  é graças a essa tensão, ou potência, que o arco pode lançar as flechas longe. “In-tenso”: “ir para dentro da tensão”. É essa mesma tensão vital  que faz as fibras do coração  impulsionarem  o sangue que dá vida . Uma alma ética   não é uma alma passiva ou cordata. Uma alma de caráter possui intensidade para lançar suas palavras e ações longe, servindo de exemplo para vencermos as baixezas que nos ameaçam de perto. Chegam até  nós, vivas e como flechas, as palavras de Espinosa  , lançadas que foram de seu pensar e viver  intensamente libertários .
Na Idade Média , traduziu-se  “ethos” apenas por “costume”, nascendo assim a “moral”. Enquanto a virtude-potência é a força da alma/corpo  intensos, o costume é um valor sedentário a serviço de um grupo. E é por isso que a moral  é sempre “conservadora” ,  e sob a máscara do “moralismo”   muitas vezes se escondem indivíduos sem  um pingo de caráter...Mesmo do ponto de vista religioso,  moral e ética se distinguem : a moral é simbolizada por  Moisés e sua Lei, porém Cristo e  São Francisco  agiam eticamente para defenderem aqueles a quem a lei perseguia como marginais. “Moral e Cívica”, como quer o ministro do bozo,  é adestramento para formar rebanhos que digam “amém” ao Mercado ( “mercado” de coisas e de pessoas). Precisamos é de ética que fortaleça nos jovens a coragem para eles serem eles mesmos, e  essa tarefa não se faz  sem filosofia, sociologia , artes e pensamento crítico.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

trama e urdidura


Quem deseja tecer deve partir de uma “urdidura”. Não importa se são tecidos , textos, ideias ou ações que desejamos tecer: é sempre de uma urdidura que se parte. “Urdidura”  vem de “ordo”, “ordem”. Como ensina Espinosa em sua Ética: em tudo há “ordo”, mas “ordo” não é tudo.  Toda urdidura é feita de fios dispostos retamente, como um destino, e disso já sabiam as mitológicas Moiras, que urdiam o destino dos homens. Mas apenas uma urdidura não forma um tecido de vida: é preciso a “trama”. A trama nasce de um fio que passa transversalmente pela urdidura: a trama acrescenta ao férreo destino a invenção de fugas, de “linhas de fuga” e “rizomas” . As árvores possuem raízes urdidas fixamente no espaço, raízes que as tornam imóveis; já os rizomas são plantas  de horizontamentos  e conectividade : suas raízes são tramas-agenciamentos bordando novas paisagem .
Toda urdidura é sempre igual: reta  e determinada. Porém, há múltiplas formas de se fiar uma trama. Não há trama sem uma urdidura , isso é certo; porém não existe   tecido , de pano ou social, sem a invenção de tramas. Da “Moira Social” que o urdiu louco, Arthur Bispo do Rosário reencontrou sua transversal, e assim tramou sua lucidez como fuga da  normalidade  reta dos que pensam igual. Embora toda trama parta de uma urdidura, nenhuma urdidura pode determinar que trama se inventará a partir dela.
Gramática é urdidura, poesia é trama; cartilha   é urdidura, pensar é trama; família é urdidura, amor é trama; Estado é urdidura, sociedade é trama; código jurídico é urdidura, justiça é trama; sistema político é urdidura, democracia é trama.



sábado, 2 de fevereiro de 2019

espinosa e o direito de resistência


“Poder” não é a mesma coisa que “potência”. Foi pensando nessa diferença que Espinosa, por exemplo, definiu e defendeu  a democracia. Em latim, “potência” é “potentia”, ao passo que “poder” é “potestas”. Em palavras  simples, “potência” é a capacidade de realizar ou fazer algo, já o poder , a potestas, é essa capacidade sendo exercida em ato. O professor tem a potência de ensinar, mesmo estando em casa. É quando ele está em sala, no encontro com os alunos, que ele exerce isso que ele pode: nasce a potestas, o poder,  como expressão de uma potência. É da potência  que nasce todo poder. O poder do professor só é de fato poder, e não apenas autoritarismo, se o poder que ele exerce  auxiliar no aumento da potência de compreensão emancipadora dos alunos.  O cidadão tem a potência de governar. Essa potência virou poder democrático efetivo em certas experiências históricas de democracia direta.  Hoje,  embora tenhamos a potência  de governar, não temos o poder: delegamos esse poder a outro - o prefeito, o presidente, etc. Ou seja, na democracia representativa somos separados daquilo que podemos.  A diferença entre potência  e poder fica mais clara  quando se trata de duas potências  essenciais : existir e pensar. Essas potências são indelegáveis, elas nunca podem ser transferidas do “múltiplo” para o “um”. Por isso, este “um”, o governo,  nunca pode se voltar contra o múltiplo de onde nasceu querendo impor o seu “um”. São as potências múltiplas  de existir e pensar que demarcam o limite até onde pode ir um governo: se ele transpuser  essa linha imaginando que  pode determinar como devemos existir e pensar, já não é governo, mas um poder que põe em risco a própria sociedade da qual ele nasceu. Numa autêntica democracia, as  potências singulares podem agenciar-se e instituírem , por direito, determinado poder. Mas elas também podem, pelo mesmo direito , resistir a todo poder  que  ameace sua existência e queira censurar o livre pensar, sem o qual não há educação, apenas adestramento. Espinosa chama de  “Direito de Resistência”  ao próprio pensar  agindo para defender  a si mesmo e a pluralidade da existência . Não apenas greves, passeatas e mobilizações expressam  esse Direito, também podem expressá-lo poemas, artes, aulas... e tudo aquilo que em nós se recusa a se deixar matar  ou  a viver  morto.

“ O homem livre  nunca termina de esculpir sua própria estátua, pois a arte viva não está na pedra enfim moldada, mas no ato de fazer-se que nunca termina.” (Plotino)