Em geral, os racionalistas reduzem o pensar ao conhecer,
reduzindo o todo a uma de suas partes, isto é, a filosofia à teoria do
conhecimento. Esse reducionismo não só retira do pensar sua potência própria,
como também ignora que o pensar não é atividade exclusiva da filosofia, uma vez
que o pensar pode ser expresso também nas artes.
Há ainda outro reducionismo tão ou mais limitador e pernicioso: o de
reduzir o afeto e o sentir ao mero sentimento, como o
fizeram os românticos. Nesse sentido, racionalistas e românticos de todas as
épocas formam as duas faces da mesma moeda.
Esse fenômeno duplamente redutor operado pelo par racionalismo-romantismo
revela , por mais paradoxal que seja, o quanto racionalistas e românticos estão
próximos, uma vez que o racionalista, em seu credo “objetivista”, confunde o afeto com o sentimento meramente
subjetivo, nesse aspecto sendo romântico; e o romântico combate a razão porque
confunde o pensar com o conhecer, tomando este por aquele, como faz o
racionalista.
O que racionalistas e românticos ignoram é que não há pensar sem afeto, e
que o afeto potencializa o pensar, ampliando o conhecer para além do mero racionalismo
e libertando a sensibilidade do emotismo
subjetivista.
É sobretudo na arte que o pensar e afeto se agenciam e se somam, expressando uma potência emancipadora ao mesmo tempo singular
e plural, ensejando perspectivas pedagógicas, clínicas e políticas criativas,
sem deixarem de ser críticas .
E quando na filosofia pensar e afeto são afirmados assim , a própria filosofia se converte em arte de
pensar, isto é, poiésis.
( este livro é apenas uma
referência para quem quiser saber mais sobre o tema)









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