sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Ética, memória e política

 

Quando Zeus , divindade que simboliza a ética e a justiça, venceu em luta as forças da barbárie,  percebeu que não bastava vencer as forças da  barbárie  naquele presente apenas , era preciso criar uma memória de que se é possível  vencê-las novamente, pois há sempre o risco dessas forças da barbárie  retornarem  de seus bueiros e trevas, reaparecendo disfarçadas com  outros nomes, em outros tempos históricos ( como reapareceram  na Itália fascista, na Alemanha nazista, nas ditaduras militares  da América Latina e suas versões milicianas... ).

Então, Zeus esposou Mnemosyne, a divindade que simboliza a memória. Zeus queria, agenciado com Mnemosyne,  criar uma memória da ética , uma ética da memória, para assim co-memorar , criar memória, de que se é possível vencer a barbárie . Desse amor entre a ética e a memória nasceram então as nove Musas, cada uma simbolizando uma arte.

“Musa” significa: “conhecimento que nasce  das artes”,  conhecimento que desperta a sensibilidade à ética, à justiça, ao conhecimento, à criatividade e à coragem. Pois arte não é distração ou passatempo, arte é a expressão de uma vitória da potência emancipadora  sobre as forças da barbárie.

Arte é educação, incluindo a educação política. Uma das Musas se chamava “Clio”, e simbolizava a História. Pois a História existe como arte a serviço do não esquecimento do passado. Quanto mais um povo esquece seu passado, ou não o compreende, mais as forças da barbárie tiram proveito dessa ignorância e reaparecem como se fossem uma “moral ” ,  “religião” ou “política” novas. Mas se a gente raspar as máscaras sob as quais se escondem esses aproveitadores, veremos o mesmo velho e sinistro rosto sujo de sangue dos que ,ao longo da história, ameaçaram de morte  a ética, as artes, o conhecimento, a liberdade, a educação, enfim, a vida.

O lugar no qual as Musas habitam  se chama “Museu”. Um autêntico Museu, portanto,  nada tem a ver com um  depósito de coisas mortas .  Um autêntico Museu guarda,  protege e co-memora as lutas travadas no passado, lutas essas  que  devem nos inspirar para as urgentes  lutas do presente.

São lutas assim que guarda o Museu da Maré ( onde vive o acervo da luta de Marielle) e o Museu Histórico de Bacurau,  museu-arquetípico onde ainda vivem  Zumbi, Dandara, Virgulino, Carolina de Jesus, Lima Barreto, Glauber, Cartola, Luísa Mahin...Pois o  principal  patrimônio desse Museu não é o passado, e sim um futuro que ainda nem nasceu. Um   futuro buscado por aqueles que por ele lutaram , e que  devem nos inspirar na luta presente  contra as  forças obscurantistas que nos ameaçam com o retorno de um passado de tortura, censura e medo.

 

“A arte não é um espelho do mundo, mas um martelo para forjá-lo”. (Maiakovski)

“Poesia pode ser que seja fazer outro mundo”. (Manoel de Barros)

 

( este livro é apenas uma sugestão)




sábado, 12 de setembro de 2026

Penélope

 

Após se perder no oceano e quase morrer, Ulisses  naufraga na ilha de Calipso, que o salva e sara. Depois, Calipso oferece a Ulisses uma bebida que o tornaria imortal, ou seja, ele ficaria livre da dor, da tristeza, da velhice, da morte...

Mas Calipso faz uma exigência: se ele escolher tomar a bebida da imortalidade, deveria ficar para sempre na ilha, esquecendo sua condição humana. Então, Ulisses deveria fazer a seguinte escolha: ou escolher uma espécie de “zona de conforto” sem fim, ou escolher a condição humana , com tudo o que nela há de risco, dor, contradição, perda, angústia...

Para surpresa de Calipso, Ulisses escolhe a condição humana, renunciando à “zona de conforto” interminável que lhe oferecia Calipso. Quando indagado por Calipso por qual razão renunciava à imortalidade, Ulisses responde que nada havia de mais forte nele do que a saudade da sua terra natal, na qual o esperava Penélope, seu par ( um par é composto por  dois seres ímpares que se somam).

 Porém, em Ítaca, a terra natal de Ulisses, Penélope estava sendo assediada e ameaçada pelos “pretendentes”.

No livro O que é a filosofia? , Deleuze & Guattari retomam essa história  e a interpretam  da seguinte forma:  “Penélope” é para Ulisses o mesmo que o Afeto potencializador representa   para o pensador de não importa qual área. Pois não somente as ideias nos servem de orientação, também são como “bússolas” os Afetos que dão sentido e direção a uma vida.  

Alguns  “pretendentes”  queriam  comprar Penélope, outros a ameaçavam violentar e tê-la   à força. Mas Penélope não se põe à venda e resiste às ameaças dos usurpadores.

Em não importa qual área ou situação, os “pretendentes” simbolizam aqueles que acham que tudo tem um preço,  incluindo os seres humanos. Os pretendentes têm a pretensão de obter coisas para as quais não se prepararam , não se cultivaram e nem se dedicaram. Por isso, querem obter as coisas por meio da trapaça ou da força, incluindo a força suja do dinheiro inescrupuloso , passando por cima dos valores, da ética, enfim, das pessoas. 

 Simbolicamente, Penélope é a parte da alma sã que aguarda o retorno do eu a si mesmo, o eu que se perdeu do caminho que o conduz a si mesmo: “voltar ao lar em si mesmo” , como escreve o poeta  Rilke.

O nome “Penélope” significa :  “Aquela que tece”. Ela tecia puxando o fio do afeto do qual seu coração corajoso era o novelo. Todos aqueles que , tecendo palavras, ideias e ações, assim perseveram e resistem à infâmia e à ignomínia , as de ontem e as de hoje, têm em  Penélope a sua ancestral.




 

domingo, 6 de setembro de 2026

luzeiros

 

 1.O galo canta porque ele pressente, ainda em meio à noite, a manhã chegando. Não seria esta a essência de todo cantar: anunciar , na manhã que vem, todas as manhãs que ainda vão chegar?

Sempre haverá uma manhã por vir, por mais longa que seja a noite. Disso sabe quem canta.


“Poeta é fazedor de amanhecer.”

(Manoel de Barros)


“Descanse tranquilo onde cantam:

 os maus não cantam.”

( Schiller)


2. Quando uma  nave espacial  sai  da terra e entra no espaço, de imediato os astronautas veem   que o céu não está apenas acima: ele  está também atrás, dos lados e igualmente abaixo.

Nessa perspectiva desegoificada , tudo é céu...Não um “céu” prometido  para depois da  morte, e para o qual se negocia   dízimo como entrada  , mas um céu horizontado da Vida por toda parte.

E nesse céu nenhum   inferno  pode ser achado, muito menos o tal inferno que os  “inquisidores” de toda espécie, ameaçando quem é livre, dizem existir debaixo.

Nesse céu há apenas o fogo das  estrelas , sóis e cometas, que não queimam por terem pecado, e sim porque neles o mistério é luzeiro  iluminado.


“Poesia é celestar as coisas do chão.”

(Manoel de Barros)


“Filosofar é se colocar da perspectiva da eternidade, para melhor ver o que acontece no aqui e agora.”

(Espinosa)



domingo, 30 de agosto de 2026

Manoel de Barros: uma didática da invenção

 

No poema “Escova”,  Manoel de Barros  diz ter visto, quando criança, dois homens sentados no chão  "escovando osso" . No início, diz o poeta, “achei que eles eram loucos” .

 Mas ele olhou bem e viu que não podiam ser loucos aqueles homens. Louco ,  o mais perigoso,  é  quem  quer impor aos outros o seu   “mesmal” . O “mesmal” é a doença de quem imagina que seu modo de viver é o único normal.

Aqueles homens não podiam ser loucos, pois pareciam ver a novidade onde todos veem o igual :  escovando, eles queriam livrar o osso da craca e poeira que nele grudaram . 

No escovar deles  também havia uma  artesania semelhante à de Espinosa a polir lentes com cuidado

O poeta descobriu então que aqueles homens eram arqueólogos. Eles queriam ressuscitar no osso o mundo no qual ele foi parte de um esqueleto sob músculo e pele, há milhões de anos.

E mais do que isso, eles desejavam reviver  o sentido que estava no osso , pois nada faz sentido sozinho: o osso foi  parte de  um esqueleto  que era   parte de um ser vivente,  igualmente parte singular de um mundo hoje extinto , do qual o osso dava o testemunho.

Para eles  o osso era mais do que osso: era também o fragmento de uma história , a nossa história,  que a vida  ainda está a escrever, com ideias e corpos, apesar das necropolíticas que querem nos extinguir.

 Ao ver os arqueólogos ,   o poeta ainda criança compreendeu qual seria então seu destino: o de escovar as palavras, retirar delas a idiotia, a ignorância, o preconceito, o clichê  e as banalidades que nelas colocaram as mentes obtusas,  de tal maneira que seria também uma “ecologia mental” o que o poeta faria  ao escovar das palavras tais sujeiras e craca.

Ao escovar as palavras, o poeta  não acha  “Verdades” , “Ordens” ou “Mandamentos”; ele acha  a poesia como sentido primeiro, não conformista, das coisas : “A poesia está guardada nas palavras, é tudo o que sei” , ensina o poeta. 




Palestra que farei em Florianópolis:

https://www.udesc.br/ceart/noticia/udesc_promove_palestra_sobre_arte__educacao_e_didaticas_da_invencao_a_partir_de_manoel_de_barros

sábado, 29 de agosto de 2026

democracia

 

Em muitas comunidades  indígenas também se delibera e vota , e várias dessas comunidades teriam muito  o que ensinar sobre democracia até aos Gregos! É um equívoco  imaginar que o cacique é “quem manda”. Nas assembleias dos povos indígenas a democracia é direta: cada um expressa sua própria voz e ouve, diretamente, a voz do outro que também delibera.

Na política representativa dos brancos um deputado representa ( ou re-apresenta) o interesse de alguém ausente , ao passo que na ágora dos indígenas cada um participa presentando-se , isto é, fazendo-se presença  diante dos outros, seus iguais.

Nas comunidades indígenas  não existe interesse privado superior  ao interesse comunitário. Em grego, “privado” é “oikos”, de onde vem “economia”. Entre os povos originários também não há quarteis  ,   templos ou mercado   querendo se  sobrepor à comunidade. Assim, entre os indígenas  o que vem primeiro é sempre a política, e não os interesses privados econômicos  ligados a grupos ou  famílias poderosas.

Nas votações e deliberações da democracia  indígena  há apenas uma condição para a decisão  vitoriosa virar regra  .   A condição é: a posição vitoriosa precisa ser unânime. Sendo unanimemente aceita, ela será vista como vitória de cada um. Por isso, tal decisão unânime tornada regra não precisará de polícias  ou repressão  para ser cumprida.

Ela se torna unânime não porque uma parte imponha a outra seu poder, mas sim porque todos compreendem  que a proposta vitoriosa é boa para a comunidade como um todo. Quando a regra é assim, ela é obedecida sem precisar de ameaças , pois tal regra  não é lei a serviço de elites e castas. E quando  se detectava  índole de tirano em alguém , aplicava-se como punição o ostracismo.

Segundo Lévi-Strauss, entre os indígenas a decisão vitoriosa precisava ser unânime para não gerar derrotados. Pois    derrotados podem guardar  mágoas  geradoras de ressentidas   vinganças ( como  Aécio Neves em 2014 , Bolsonaro em 2022 e o Flávio Rachadinha já está preparando a mesma coisa...).

Essa  sabedoria política dos indígenas  evitou que nascessem ódio internos que poderiam gerar divisões da sociedade em castas e classes desiguais, com uns se julgando superiores aos outros ou se achando dono da aldeia e querendo impor “Ordem” à força.

Nas comunidades indígenas, as ocas são amplas  e acolhem muitos em igualdade, elas não são uma “Casa-grande” para  poucos privilegiados. Nessa democracia originária  não há privilégios, a não ser o privilégio de participar da comunidade e honrar os ancestrais. E os guerreiros não são generais que ameaçam o próprio povo supondo-o “inimigo interno”. Os guerreiros só agem contra as ameaças externas que colocam  em risco a comunidade .

A unanimidade  vitoriosa , desejo comum da comunidade, não era portanto a imposição da vontade de um chefe ou de um “Partido”, ela era construída coletivamente, pois o amor à aldeia era maior do que o apego  de cada um ao  próprio ego. Unanimidades conquistadas assim não são “burras”, são sábias.



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O espaço simbólico  da democracia é a praça, um espaço horizontal. Na Grécia , a praça era chamada de “ágora”, o coração da pólis. “Ágora” vem de “agon”,  que significa “conflito” ou “disputa”. Não a disputa bélica baseada na força bruta, e sim disputa de ideias apoiada na força da palavra tornada argumento.

Os que empreendiam tal disputa medida pela força das palavras  veiculadoras de ideias  eram chamados de “politikos”.

O espaço contrário ao da pólis era o “oikos”, a “vida privada”. De oikos nasce oikonomia , economia, enquanto dimensão dos interesses privados. Na pólis, ao contrário, deveriam preponderar os interesses públicos

Na ágora, perspectivas diferentes se enfrentavam mediante argumentos  . E o critério que definia qual perspectiva seria vitoriosa , obtendo mais votos, era aquela que mais expressasse  o interesse comum, o interesse público.

Mas quando alguém ou algum grupo se valia do espaço político para fazer prevalecer interesses meramente privados, usavam a palavra como meio de ardilosidade, dissimulação e ataque.

Por isso, só pode haver debate político se aqueles que se enfrentam por meio de argumentos tiverem como motor de suas palavras o interesse público. Ao contrário, quando uma das partes usa o espaço público para tentar sujeitá-lo a interesse privados ou criminosos, quando isso acontece é impossível o debate de ideias, uma vez que a parte que escamoteia interesses inconfessos se valerá apenas de erística.

“Erística”  vem de “éris”, que significa “ódio”, inclusive ódio de classe , como se viu na entrevista-erística que o JN , servindo a interesses antagônicos ao da democracia,  fez com o Lula.

É por esse e outros motivos que considero mais adequado o Lula não ir a esses espaços erísticos , nos quais será apenas atacado por aqueles que , servindo ao capital predatório ou a interesses autoritários ( e capital predatório e autoritarismos se apoiam um no outro), querem submeter a pólis ao mercado, à caserna ou a templos ( ou aos três mancomunados).

 

domingo, 16 de agosto de 2026

regeneratio

 

Ao pé da amendoeira caem inertes as folhas amarelas, que ainda ontem pareciam eternas.

Mas acima delas, em verdes folhas inesperadas, abre-se em broto a vida renovada.



( esses versos de Manoel que estão na imagem fazer parte do poema "Aprendimentos")

sábado, 15 de agosto de 2026

(po)éticas: espinosa & manoel

 

Manoel & Espinosa: (po)éticas

1- Desde menino, o filósofo Espinosa demonstrava uma capacidade impressionante para  “ler” as pessoas, revelando um saber intuitivo acerca da natureza humana, conhecendo  o que nela há de luz e de  sombras.

Sabedor disso, o pai de Espinosa,  senhor   Miguel, que era comerciante,  sempre pedia conselhos ao seu filho acerca da índole de determinado devedor.

 Embora tivesse  apenas 11 anos , com olhos penetrantes o menino Espinosa conseguia distinguir quem estava em reais dificuldades (cuja dívida era perdoada) ,  de quem fingia aperto por mera desonestidade.

Certa vez, o senhor Miguel  nutria  esse tipo de dúvida acerca de uma senhora que lhe devia  determinado valor. Ele pediu ao menino Espinosa para ir à casa de tal senhora. O menino foi.

Quando o menino Espinosa  bateu à porta da residência da devedora suspeita  , esta apenas entreabriu  a porta , mal conseguindo disfarçar certo nervosismo (  ela  já adivinhava  o motivo da visita e conhecia a fama do menino...). 

Fechando de novo a porta, falou: “Espera um instante ,  estou lendo a Bíblia, primeiro nossos deveres com Deus”.

Ela leu bem alto a Bíblia , de fora dava para ouvir. Depois, reabriu a porta já com  o dinheiro na mão.

Ao mesmo tempo em que colocava rapidamente a soma na mão do menino, ela disse: “As pessoas  de bem sempre leem a Bíblia e falam de Deus, nunca  se esqueça  disso menino. Agora vá”, e fechou abruptamente  a porta.

Após alguns segundos, ela ouviu novamente batidas à porta. Quando abriu, viu de novo o menino Espinosa, que com calma, porém firme, lhe falou: “Minha senhora, o valor que a senhora me deu está faltando” .

O menino Espinosa   estendeu então novamente a mão esperando  receber mais do que o dinheiro faltante , ele queria   receber, sobretudo,  outra coisa que faltava: a verdade.

2- Manoel de Barros se formou em Direito. No entanto, seu primeiro cliente foi também o último. Tratava-se de um comerciante   acusado de desonestidade no uso da balança : na hora de pesar a mercadoria, sorrateiramente ele apoiava o dedo para aumentar o peso de forma fraudulenta.

Uma senhora prejudicada pela desonestidade do mau comerciante    resolveu  abrir um processo contra ele.

Na primeira vez em que esteve com o tal comerciante, Manoel pediu para conversar a sós com  ele, e indagou: “É verdade o que ela diz? Você burlou o peso?” E o dissimulado respondeu: “É verdade. Mas inventa uma história para me defender, fique tranquilo: pagarei  bem a você.”

Manoel pediu  licença   ao farsante e foi conversar com o dono do escritório de advocacia, dizendo: "Desisto do caso, não vou me vender para defender  as mentiras   desse desonesto.  A invenção de que gosto é outra: não é invenção que nega a realidade; a  invenção   que gosto é a da poesia: invenção que   amplia o mundo ”.




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O antídoto ao reducionismo é a pluralidade.

 

Em geral, os racionalistas identificam  o pensar ao conhecer, reduzindo o todo a uma de suas partes, isto é, a filosofia à teoria do conhecimento. Esse reducionismo não só retira do pensar sua potência própria, como também ignora que o pensar não é atividade exclusiva da filosofia, uma vez que o pensar pode ser expresso também nas artes.

Há ainda outro reducionismo tão ou mais limitador e pernicioso: o de reduzir o afeto e o sentir ao mero sentimento, como o fizeram os românticos. Nesse sentido, racionalistas e românticos de todas as épocas  formam as duas faces da mesma moeda.

Esse fenômeno duplamente redutor operado pelo par racionalismo-romantismo revela , por mais paradoxal que seja, o quanto racionalistas e românticos estão próximos, uma vez que o racionalista, em seu credo “objetivista”,  confunde o afeto com o sentimento meramente subjetivo, nesse aspecto sendo romântico; e o romântico combate a razão por que confunde o pensar com o conhecer, tomando este por aquele, como faz o racionalista.

O que racionalistas e românticos ignoram é que não há pensar sem afeto, e que o afeto potencializa o pensar, ampliando o conhecer para além do mero racionalismo e libertando a sensibilidade do  emotismo subjetivista.

É sobretudo na arte que o pensar e afeto se agenciam e se somam,  expressando  uma  potência emancipadora ao mesmo tempo singular e plural, ensejando  perspectivas  pedagógicas, clínicas e políticas criativas, sem deixarem de ser críticas .

E quando na filosofia pensar e afeto são afirmados assim  , a própria filosofia se converte em arte de pensar, isto é, poiésis.

 

 

 

 

 

( este livro é apenas uma referência para quem quiser saber mais sobre o tema)