A palavra “clínica” significa: “aproximar-se para cuidar”. O bom médico é um
clínico quando não nos reduz a um mero objeto no qual está a doença, e sim se
aproxima de nossa existência para envolvê-la com cuidados para potencializar
nossa saúde.
Clínica é um chegar perto e
aproximar-se não apenas no sentido físico, também é chegar
perto animicamente, existencialmente. E para criar uma proximidade assim com o
outro, com o mundo e com nós mesmos, o
meio mais adequado é o Afeto.
Sobretudo em épocas nas quais o
adoecimento das mentes pela ignorância se
tornou estratégia de dominação do poder teológico-político mancomunado com a
exploração bélico-capitalista , nessas
épocas os filósofos e artistas mais
necessários são aqueles que também são clínicos.
Eles nos ensinam que a melhor
maneira de afastar a doença não é
temendo-a ou odiando-a, mas amar perseverante a saúde, a saúde da mente e do
corpo, e
cultivá-las cotidianamente nas
mais simples ações. Essa forma de cultivo da saúde também é um ato político.
Deleuze é meu pneumologista: é
nele que encontro ar quando estou sufocando; Manoel de Barros é meu oculista: é
com ele que aprendo a transver o mundo, para assim tentar vislumbrar caminhos
por entre esse deserto pedregoso; Fernando Pessoa é meu cardiologista: para
manter pulsando, sob o cético coração do adulto, o inocente coração da criança
que crê ainda; e Espinosa é meu clínico geral: para desadoecer corpo e mente
ante esses tempos distópicos.
Neste momento, desenvolvo uma
pesquisa na universidade sobre Espinosa. A partir de setembro, pretendo fazer
alguns encontros quinzenais para falar
de Espinosa . Esses encontros serão abertos ao público em geral, presencial e
virtualmente. Quem quiser participar/acompanhar
de alguma maneira (serão concedidos carga horária e certificado) , é só falar
comigo. Abraços.
Este livro de Nise é apenas uma
sugestão de leitura ( tive a alegria de participar , com uma palestra, do
evento de lançamento da nova edição desta obra). Para ajudá-la em seu trabalho de
cuidados clínicos, consigo e com os
outros, Nise dizia ter aprendido a
seguinte lição com Espinosa: “nossa felicidade e saúde mental depende mais
daquilo que fazemos com as mãos do que daquilo que teorizamos com o cérebro”.
Mãos que alimentam, mãos que escrevem lições no quadro numa sala de aula,
mãos que pintam, que plantam , que
bordam, que partilham, que doam...São mãos mais saudáveis e felizes do que
aquelas que apenas imitam armas, como a mão dos fascistas, ou que só sabem contar dinheiro, como a mão do “mercado”.







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