Quando pensava e falava, havia um ponto , um ponto enigmático, em que Heráclito parava de exercer o logos, e chorava. Nada mais dizia, apenas chorava. Então, os adultos se afastavam, apenas as crianças ficavam perto dele.
Multitudo: poesia, arte & filosofia
textos e desenhos : elton luiz
terça-feira, 24 de março de 2026
quando a palavra já não basta
sábado, 21 de março de 2026
o poder teológico-político
A palavra “teologia” aparece
entre os filósofos pré-socráticos. Antes deles , já existia a palavra
“teogonia” , que é o título de um poema de Hesíodo no qual se narra a origem dos deuses, a começar por Gaia, a Mãe-Terra.
Hoje , a palavra “teologia” remete a três religiões
calcadas num texto considerado sagrado
por elas: o Alcorão ( Islamismo), a Torá ( Judaísmo) e a Bíblia (Cristianismo).
“Política”, por sua vez, vem do
termo “pólis”, que significa tanto “cidade” como “organização” ( na raiz da palavra “pró-polis” , por exemplo, está “pólis”
, pois a própolis , como uma vacina, protege a colmeia enquanto “organização-comunidade”
das abelhas).
Pólis é a organização conjunta
das liberdades, para assim construir o viver em comum, preservando a
heterogeneidade dos viveres. No centro da pólis não estão Castelos ou Templos,
embora a base de toda pólis igualmente seja um livro.
Um livro que também é objeto de
uma “fé”, não uma fé religiosa, mas uma fé na liberdade, na criatividade, na
ciência, na cultura , na educação, pois essas atividades também são
“instituições”.
Ao contrário dos “Textos Sagrados”,
o livro que serve de base à pólis pode ser reformado ou até mesmo abandonado em
nome de outro texto mais justo, desde que assim decida a sociedade, após
debate, argumentação, divergência
dialogada e votação.
O livro
que fundamenta a pólis é a Constituição.
Essa palavra significa: “o que é instituído junto”, e que apenas por um querer
junto, afirmador da pluralidade, pode ser destituído.
A Constituição deve preservar a
diversidade, inclusive a diversidade de crenças religiosas, além de proteger
também aqueles que não têm crenças religiosas.
O poder teológico é um poder que
tem seu campo de atuação restrito ao templo. Porém, acontece por vezes de tal poder usurpar esse espaço de
culto, querendo se tornar também poder político.
É assim que nasce o que Espinosa
chama de poder “teológico-político”. Para triunfar, esse tipo de poder
perseguirá como inimigo tudo aquilo que a Constituição democrática simboliza. É
por isso que o poder teológico-político somente pode perdurar cooptando
exércitos e polícias.
Esse tipo de poder também costuma
se juntar aos que fazem do Capitalismo e do Mercado um Deus, a tal ponto que a
“prosperidade” econômica individual
passa a ser valor cultuado como se fosse um Dogma ( como se vê
no atual acumpliciamento fláviorachadinha-mídiagolpista).
Dizem que o orgulho não é um bom
sentimento... Porém confesso que tenho orgulho de algo: ter sido demitido pelo
profeta-Malafaia . Ele era um dos donos
da faculdade onde eu lecionava filosofia. Eu estava começando na atividade
docente, foi difícil à época ficar sem emprego, porém não me vendi. Ele me
demitiu não por eu fazer mal meu trabalho .
Ele me demitiu por eu não obedecer à tentativa dele de cercear nossa
atividade docente. Ele nutria indisfarçável horror à filosofia e aos filósofos,
só tolerando quem lhe dissesse “amém”.
Se esse srº vivesse na Grécia Clássica,
com certeza ele seria um daqueles vingativos que condenaram
Sócrates a beber a cicuta; se ele vivesse na época de Espinosa, seria talvez
aquele que mandou um fanático religioso
ferir Espinosa com um punhal...( aliás, o ato que baniu/excomungou
Espinosa ainda não foi revogado pelas autoridades religiosas :Espinosa é considerado ainda hoje por eles como
um subversivo perigoso...) . O
profeta-malafaia aparece ali na foto
junto ao seu “Messias”. Cada profeta tem o “Messias” que merece...
sábado, 14 de março de 2026
a escova do poeta
No poema “Escova”, Manoel de Barros diz ter visto, quando criança, dois homens
sentados no chão "escovando
osso" . No início, diz o poeta, “achei que eles eram loucos” .
Mas ele olhou bem e viu que não podiam ser
loucos aqueles homens. Louco , o mais
perigoso, é quem
quer impor aos outros o seu
“mesmal” . O “mesmal” é a doença de quem imagina que seu modo de viver é
o único normal.
Aqueles homens não podiam ser
loucos, pois pareciam ver a novidade onde todos veem o igual : escovando, eles queriam livrar o osso da
craca e poeira que nele grudaram .
No escovar deles também havia uma artesania semelhante à de Espinosa a polir
lentes com cuidado
O poeta descobriu então que
aqueles homens eram arqueólogos. Eles queriam ressuscitar no osso o mundo no
qual ele foi parte de um esqueleto sob músculo e pele, há milhões de anos.
E mais do que isso, eles
desejavam reviver o sentido que estava
no osso , pois nada faz sentido sozinho: o osso foi parte de
um esqueleto que era parte de um ser vivente, igualmente parte singular de um mundo hoje extinto
, do qual o osso dava o testemunho.
Para eles o osso era mais do que osso: era também o
fragmento de uma história , a nossa história,
que a vida ainda está a escrever,
com ideias e corpos, apesar das necropolíticas que querem nos extinguir.
Ao ver os arqueólogos , o poeta ainda criança compreendeu qual seria
então seu destino: o de escovar as palavras, retirar delas a idiotia, a
ignorância, o preconceito, o clichê e as
banalidades que nelas colocaram as mentes obtusas, de tal maneira que seria também uma “ecologia
mental” o que o poeta faria ao escovar
das palavras tais sujeiras e craca.
Ao escovar as palavras, o
poeta não acha “Verdades” , “Ordens” ou “Mandamentos”; ele
acha a poesia como sentido primeiro, não
conformista, das coisas : “A poesia está guardada nas palavras, é tudo o que
sei” , ensina o poeta.
sexta-feira, 13 de março de 2026
A "dualidão"
Nietzsche assim dizia: “Odeio quem rouba minha solidão sem oferecer
verdadeira companhia.” A palavra “companhia” vem de “com-pane”. Em latim,
“pane” é “pão”. Assim, fazer companhia é saber dividir o pão; companheiro : “aquele
com quem dividimos o pão.”
Não apenas o pão físico, aquele que mata a fome do corpo, mas sobretudo
os pães da mente , os pães do espírito, os pães do afeto, pães esses que matam
outro tipo de fome: fome por dignidade, fome por justiça, fome por
conhecimento.Desses pães ninguém é o dono, são pães que não se compram ou
vendem no mercado, são pães que não têm preço.
Nietzsche chama de “dualidão” quando duas solidões, sem perderem a
singularidade de cada uma, decidem, por
liberdade, andarem e viverem juntas. Em carta a Overbeck, Nietzsche afirma que , ao ler Espinosa, não
viu sua solidão roubada, mas acrescida por uma outra solidão singular como a
sua. Enfim, uma “dualidão”.
domingo, 8 de março de 2026
Sofias...
Em grego, “Sofia” é
“Sabedoria”. Não se deve confundir “Sofia” com “Razão”. A palavra
“Razão” em grego é masculina (“Logos”) e
tinha em Zeus um dos seus símbolos.
Porém Zeus não era a
Sabedoria, pois Sofia é filha de Zeus com Métis. Por
possuir muitos dons e capacidades, Métis era conhecida como a deusa
das “habilidades”. Não a habilidade meramente técnica,
mas habilidade no sentido de produzir , além de ideias, um querer e
um agir múltiplo e criativo.
Métis também
estava associada à noção de “saúde” enquanto cuidado
consigo e com os outros. A palavra “caute” , base da Ética de Espinosa, provém
dessa habilidade médico-curativa . Pois de “Métis” também vem “meticuloso” , no
sentido do cuidado (“caute”) que caracteriza o bom médico ( tanto os
médicos do corpo quanto os médicos da alma, os pensadores-artistas).
Uma das características de
“Métis” é que ela era capaz de metamorfoses, de devires. Ao enamorar-se com
Métis, Zeus buscou na metamorfose dela um processo para renascer
também.
Agenciada com Métis
, a própria Razão potencializou-se para lutas que ela não tem
como vencer sozinha, lutas para enfrentar a ign0rância em suas diversas formas.
Fortalecida, a Razão aprendeu habilidades que a pura razão teórica
não ensina.
As habilidades de Métis são
artes que unem o pensar ao agir. E foi desse agenciamento mais afetivo do que
teórico , mais artístico e poético do que acadêmico, que
nasceu então Sofia, também conhecida como “Atena”, filha de Zeus com
Métis.
Os teóricos da
Razão inspiram-se em Zeus, mas os pensadores-artistas
são apaixonados por Sofia: e por essa paixão não apenas pensam, como
também agem e criam.
Na lut4 contra a ign0rância e a
obscurid4de, ontem e hoje, a Razão não vence sozinha: é preciso que a acompanhe
Sofia. Às vezes, é a própria Sofia que salva a Razão de si mesma , fecundando
nela sensibilidade e vida, impedindo assim que a Razão
fique dogmaticamente estéril, rígida.
Segundo Nietzsche, hoje a
filosofia atende por outro nome, um nome feminino também
: “Ariadne”, nome que significa “aranha”. Pois Ariadne é tecedora de
fios, fios que ela tira de seu próprio ventre, como a “linha de fuga” ensinada
por Deleuze .
Ariadne simboliza a
necessidade de um fio que nos agencie, um fio
trançado com Ideias libertadoras e Afetos regeneradores,
como mãos que se seguram umas às outras na
luta e resistência ante toda forma de tir4nia, mãos de Sofia e
Ariadne unidas às mãos de Dandara, Eunice, Fernanda, Clarice,
Marielle...
Esse fio-agenciamento que une e
salva ganha vida na voz de Elza Soares:
“Eu não vou sucumbir
Eu não vou sucumbir
Avisa na hora que tremer o
chão
Amiga, é agora, segura a minha
mão”.
( Trecho da música “Libertação”)
“A paixão sem a razão é cega;
a razão sem a paixão é inativa.”
(Espinosa)
(Imagem: a pequena Sofia)
sábado, 7 de março de 2026
Manoel e os fluxos...
No livro "O guardador de
águas", o poeta-pensador Manoel de Barros afirma que aprendeu a
guardar águas. Não ouro, dinheiro ou posses, mas águas. Guardar também é
cuidar.
As águas que o poeta guarda não
são exatamente coisas, elas são fluxos. Cuidar dos fluxos é o oposto de
construir cercas , gaiolas , muros ( literais ou
simbólicos). Os fluxos são sempre desterritorializados e
desterritorializantes : “não se pode ‘passar régua’ neles”, ensina Manoel.
Mas não se deve confundir esse “fluxo” manoelino
com aquilo que o sociólogo Bauman chama de “líquido” , ao descrever as sociedades contemporâneas .
No “mundo líquido”, as relações, os amores, as
políticas , as temporalidades, o trabalho, as subjetividades e até mesmo o
conhecimento se tornaram “volúveis-voláteis” ( como a liquidez do
Capital que a tudo desumaniza e reduz a juros e lucro).
O líquido aceita ser
limitado e contido por moldes. Já um fluxo é feito o sangue nas
veias: se não avançar, perece. Os fluxos
ou inventam linhas de fuga ou secam e morrem - e a secar resistem
com toda força que podem.
Os fluxos somente podem ser
guardados em espaços abertos. E abertos se tornam a sociedade, a
mente e o afeto se um fluxo de vida os atravessa.
Os fluxos nascem de fluxos, não
de coisas enrijecidas: o rio
amazonas nasceu da geleira no alto dos
Andes , mas da geleira devindo fluxo, pingando, correndo, fluindo...até
alcançar o horizontado mar , para mar também se tornar.
Guardar as águas é guardar-se
nelas, como necessária arte dos (re)descobrimentos: "estou à janela e só
acontece isto: vejo com olhos benéficos a chuva, e a chuva me vê de acordo
comigo. Estamos ocupadas ambas em fluir"( Clarice Lispector, “A descoberta
do mundo”).
Somente uma fonte pode guardar
fluxos. A fonte guarda fluxos os doando, pois uma fonte é um fluxo de vida partejando
a si para matar sedes e irrigar desertos.
O fluxo é fluido, mas não é sem força ou
volúvel; ele é firme, possui consistência, porém não é rígido. Pedras não
vencem o avançar de um fluxo , enquanto pulsar a fonte da qual ele
transborda.
“Quem anda no trilho é trem de
ferro.
Sou água que corre entre pedras:
liberdade caça jeito.” ( Manoel
de Barros)
“A cisterna contém; a fonte
transborda”. (William Blake)
“O artista é aquele que converte
os obstáculos em meio”. (Deleuze)
( Imagem: “Sherazade”/ obra do
artista Samil Hilal. Como as palavras emancipadoras de Sherazade enfrentando o
poder repressor-falocrático do “Sultão”,
o agenciamento de livros forma um fluxo de ideias que segue em frente, irreprimível...)
segunda-feira, 2 de março de 2026
No caminho com Maiakóvski
“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
(...)
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror."
( trecho do poema “No caminho com Maiakóvski", do poeta
Eduardo Alves da Costa)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Manoel de Barros: "Poesia pode ser que seja fazer outro mundo".
Certa vez, pediram ao poeta
Manoel de Barros uma definição do que é a poesia. O poeta assim respondeu:
“Poesia pode ser que seja fazer outro mundo”. Nessa resposta, a palavra mais
importante é o verbo “fazer”. Inclusive, a palavra “poesia” vem de um verbo
grego cujo sentido é exatamente “fazer, produzir”.
Quando se substantiva
a poesia apenas como rima e verso , perde-se a compreensão de que ela é também
um verbo, uma ação, que pode produzir muitas outras coisas além de rimas e
versos.
A poesia produz também
percepções, pensares e sentidos outros que subvertem o “mesmal” do
“mundo acostumado” .
Manoel diz que o poeta produz
versos porque , antes de escrever, “o poeta se empoema”. Empoemar-se
é um sentir que pensa, tornando-se potência criativa que nasce de
uma intensificação da vida.
Quem se
empoema, desegoifica-se e se
desabre: não cabe mais dentro de si. Alguns se
empoemam e dançam, outros se empoemam e pintam, outros se empoemam e
cantam, outros se empoemam e ensinam, outros se empoemam e
aprendem, outros se empoemam e se tornam generosos, corajosos,
insubmissos, libertários , enfim, intensificam o que neles é vivo .
E com o máximo de força que
podem , se esforçam para fazer outro mundo começando pelo lugar onde se está,
mesmo que seja um lugar modesto, micropolítico: sala de aula, fábrica, rua,
praça, residência, favela, vizinhança, janela, mundo virtual...
E primeiro que tudo, deve-se
começar por fazer outro mundo dentro de si mesmo, na maneira de pensar e
sentir, fazendo-se de novo página branca, sem roteiros prévios , para que nela
a vida reescreva novos sentidos por descobrir , sentidos que nos
auxiliem a resistir à antipoesia dos homens cultuadores do ódio, da destruição
e da morte.
É por isso que o importante
naquela definição de poesia também é o “pode ser que
seja”, pois poesia não é palavra de ordem ,
fórmula ou dogma; poesia é ideia pensante para
ser sentida e reinventada, reinventando-nos , como potencialização da liberdade
agenciada.
Como ensina Deleuze: “Mais
importante do que o pensamento é o que ‘dá a pensar’; mais importante do que o
filósofo é o poeta”.
(parte do que escrevi se encontra
neste livro que organizei)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Espinosa e o "niilismo"
Para Espinosa , deus não criou o mundo do nada , tampouco é rodeado pelo nada. Para Espinosa, o nada é uma negação imaginativa-reativa feita pelos que ignoram o que é a natureza.
O nada não existe
ontologicamente, mas apenas
antropologicamente: é a imaginação reativa do homem que cria o nada ( "nihil", em latim).
Nem sempre esse nada aparece com seu nome original, mas com outros nomes. “Paraíso” e “Inferno”, por exemplo, são alguns nomes que encobrem esse nada. Até mesmo “Deus” ( esse “Deus” que Flávio Bolsonaro quer reduzir a cabo eleitoral seu) também pode ser o nome desse nada, quando se faz de Deus um ente que castiga, que pune, ou seja, um deus vingativo e preconceituoso que escolhe um povo em detrimento de toda a humanidade.
O poder teológico-político cultua esse nada, muitas vezes em templos de ouro ( nada tendo a ver, portanto, com o Deus simples, amoroso e modesto de Francisco...).
E quem cultua nadas assim se agrilhoa na imaginação passional-reativa, passando a viver no medo, na ignorância, na credulidade incauta, no ódio e na superstição, todas
características de uma mente infantilizada que não sabe governar a si mesma,
sempre precisando de um profeta, de um “messias”, de um “eleito”, enfim, de um
“tirano” que os sujeite a viver como rebanho.
À sua época, Espinosa assim já
diagnosticava aquilo que hoje se chama “niilismo”.
Uma das referências do texto é este livro de Espinosa, sobretudo o Capítulo III : "Que Deus é causa de tudo".
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
a própolis e o formal
Hoje no Brasil se fala muito em “ ser conservador” como um comportamento
oposto ao de “ser criador”, “progressista”. Segundo Espinosa, porém, há
duas maneiras de “ser conservador” . Essas duas formas podem ser explicadas ,
de maneira simples, a partir do seguinte exemplo:
Seria absurdo querer conservar
apenas a mesa que o carpinteiro produziu, descuidando do próprio carpinteiro e
sua potência criativa de produzir mais mesas, inclusive de produzir mesas
diferentes daquelas que até hoje ele criou.
É no produtor, e não no produto,
que criar e conservar andam juntos: o que se deve conservar é o ato de produzir
o novo, e não apenas o produto pronto desse ato. Nesse sentido, conservar é
proteger e cuidar, para fortalecer a potência de criar .
Os progressistas agem para conservarem a
potência criativa do produtor ( os “direitos sociais e trabalhistas”, por
exemplo, existem para essa função) , já os
conservadores-reacionários querem conservar apenas os produtos transformados em
propriedade que o capital compra explorando o produtor e tirando dele os
direitos.
A prática de conservar o
que é criador nos é ensinada pela própria natureza : a própolis, por
exemplo, conserva/cuida da
vida da colmeia para que esta se proteja das doenças que querem , de
dentro, fragilizá-la ; e, ao mesmo tempo, a própolis é força que ajuda a
colmeia a se manter reinventando-se , perseverando na vida.
Porém, criar e conservar se
tornam ideias antagônicas quando se quer colocar o conservar antes do criar,
vendo no criar algo que ameaça uma “Ordem” rígida , paranoica. Um conservar
assim é o que faz o formol: serve para conservar apenas o que já está mortificado
e não se reinventa mais, como produtos
em lata de conserva...
Arte, filosofia, educação são
própolis; prot0fascismo fundamentalista teológico-político é formol.
( a “Ética” é o livro-própolis
que Espinosa escreveu)






