segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A força dos estudantes

 

(Uma pequena homenagem aos estudantes da UFF.  Imediatamente  após o resultado do primeiro turno dando a vitória parcial ao miliciano, eles saíram às ruas e começaram a resistência e a virada. Eles foram, da vitória,  a fagulha)

 

 Há três modelos de educação: a Academia, o Liceu e os Jardins. Foi Platão quem inventou a Academia. Na porta da Academia Platão afixou a seguinte placa: “Só pode entrar aqui quem for geômetra”. Assim, na Academia de Platão somente eram ensinadas coisas exatas: fórmulas, dogmas, gramáticas . Os poetas eram proibidos de entrar lá.

Já o Liceu é obra de Aristóteles. Este queria mostrar que há ordem não apenas na matemática, a ordem também existe na própria natureza. Para provar isso, Aristóteles recolhia flores de uma mesma espécie e dizia: “apesar de cada indivíduo ser diferente, todos nasceram de um mesmo molde : tudo o que existe se explica por uma Identidade-Padrão". Quando um aluno mais curioso ia explorar o mundo e aparecia com uma flor diferente, uma flor única e rara, Aristóteles mandava jogar a flor fora, alegando que a diferença é um erro da natureza que nos afasta da Razão.

Foi Epicuro que aprendeu a fazer dos jardins salas de aula: como espaço aberto à natureza multivariada. E as flores diferentes que a Razão homogeneizante desprezava , Epicuro as acolhia em seu jardim, as plantava e regava. Ao invés de tabuada e gramática, cantos e cores; no lugar de moral e cívica, ética e artes . Não apenas a alma dizia “presente” na hora da chamada, também dizia “presente” o corpo, com a vida intensificada.

A ideia de “jardim” sobreviveu ao tempo e às perseguições , e sua semente ainda vive nos nossos “jardins de infância”. Havia algo da infância nos jardins de Epicuro, como (re)invenção de um devir-criança , feito a “não velhez” do poeta Manoel de Barros .

Hoje, a academia se tornou sinônimo de universidade, isso é fato. A universidade é composta de bibliotecas , laboratórios , refeitórios, isto é, coisas físicas, e mais os educadores, funcionários e estudantes, a sua parte viva.

Quando todos se unem para proteger e intensificar essa vida, mostrando ao povo que o saber ali produzido também faz parte de sua vida, a universidade então sai dos muros da academia, ganha praças e ruas, e se torna novamente o Jardim sem cercas de Epicuro: conhecimento que potencializa a vida digna.


(foto partilhada da página A UFF pela Democracia. Este rapaz da foto se chama Elcimar Moreira da Silva , ele é estudante de Física da UFF )



https://vermelho.org.br/2026/10/06/estudantes-da-uff-tomam-niteroi-por-lula-e-dizem-nao-vamos-recuar/

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