“Erística” vem de “éris”, palavra
que, em grego, significa “ódio”. Na mitologia, de éris nasceram as “Eríneas”, representantes do
ódio e da vingança. Foram as Eríneas que despedaçaram Orfeu, o Poeta
Originário. Porém, elas não calaram o poeta: pois Orfeu continuava a cantar
apenas com sua cabeça.
Faz erística quem , fingindo
debater , usa as palavras como instrumento do ódio e da ignorância.
Enquanto a argumentação é um instrumento da luz quando se precisa
argumentar para se defender as ideias, a
erística é uma arma ardilosa das sombras quando os farsantes querem dar
aparência de argumentação às suas mentiras.
Os erísticos aparentam debater,
quando na verdade dissimulam seu ódio e ignorância empregando as palavras.
O erístico finge argumentar, quando na verdade sua única intenção é ofender.
Por essa razão, é impossível debater com um erístico, pois debater é supor que
o outro com o qual se debate tem ideias a defender.
O objetivo infame do erístico não é defender ideias, mas rebaixar
o discurso e enganar o público incauto.
E foi isso que se viu ontem na entrevista do miliciano à Globo: o miliciano passou a maior parte do tempo fazendo
erística, sem ser firmemente contraditado pela
jornalista que o entrevistava.
Qual deve ser a estratégia
argumentativa para se enfrentar num
debate quem não tem ideias e se vale da erística ?
Todos sabemos que o miliciano não
vai a debates para debater, e sim para fazer erística e jogo sujo. Quando uma
das partes deixa claro que jogará sujo, o jornalista-mediador não pode ter uma
atitude passiva e supostamente “neutra”,
mas ser ativo na proteção das regras.
Cometer fake news é crime. E
diante de um crime não há neutralidade: é preciso combatê-lo. Quem vê um crime
e não age, ou está com medo ou é conivente. Creio que a equipe de Lula deveria
exigir da Bandeirantes e da Globo uma
posição firme , desde já, contra os crimes que todos sabemos que o
miliciano irá cometer.
Para um democrata como Lula, é
difícil rebaixar-se ao nível de pântano onde adora ficar o miliciano, pois o
pântano é o meio natural do fascista, e é por isso que ele tentará atrair Lula
para esse lugar.
Por isso, Lula deve ignorar o
miliciano e não interagir. Lula deve
olhar apenas para a câmera , para nós, antes tendo olhado para dentro de si
mesmo e lá encontrar a força de sua história, e nela se apoiar. Não responder
as perguntas nos termos de quem pergunta, mas responder nos seus próprios
termos - com calma, mas firmeza.
É preciso ter não apenas um
escudo que proteja, mas também estratégias de enfrentamento. A luz enfrenta as
trevas sendo luz : não negando ou reagindo à treva, mas afirmando a si mesma.

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