sábado, 3 de outubro de 2026

a demissão e a reprovação

 

Sei que o orgulho não é algo muito bom  e se deve evitar. Mas tenho dois orgulhos em minha vida de professor. O primeiro :   ter sido demitido pelo Silas Malafaia, que era um dos donos de uma faculdade privada na qual comecei a dar aulas de filosofia. Como todo tirano, ele não suportava filosofia. Como eu não dizia “amém” às suas tentativas de nos amordaçar,  ele  me deu uma “cicuta”: fui demitido. 

Na ocasião, foi uma situação difícil,  eu estava começando na profissão e fiquei desempregado. Mas pensar nas perseguições pelas quais passou Espinosa me ajudou a compreender e superar a situação , pois hoje veio que aquela demissão foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida de professor de filosofia.

O outro orgulho que tenho foi ter reprovado  Flávio Bolsonaro, ele era inscrito numa disciplina que eu lecionava,  filosofia do direito.

Ele já fazia na época o que faz hoje : burlava as regras , trapaceava  , mentia , enfim, um dissimulado. Além disso, quase não ia às aulas. Creio que naquela época ele era funcionário fantasma em Brasília: recebia sem trabalhar. Ser aluno fantasma era só mais uma faceta do mesmo mau-caratismo.

Querendo talvez despertar medo nos outros , ele não escondia de ninguém suas ligações com a milícia. Ele até se gabava disso. Hoje vejo que não o reprovei : fiz justiça. E amanhã meu voto não é de reprovação a ele , mas de aprovação  à democracia, por isso voto em Lula.

Se eu pudesse colocaria em destaque no meu currículo Lattes a demissão que sofri do tirano  teológico-político  e a reprovação  que fiz do  miliciano como exemplos do meu esforço pedagógico de trazer para a minha prática as ideias que ensino.