Sei que o orgulho não é algo
muito bom e se deve evitar. Mas tenho
dois orgulhos em minha vida de professor. O primeiro : ter
sido demitido pelo Silas Malafaia, que era um dos donos de uma faculdade
privada na qual comecei a dar aulas de filosofia. Como todo tirano, ele não
suportava filosofia. Como eu não dizia “amém” às suas tentativas de nos
amordaçar, ele me deu uma “cicuta”: fui demitido.
Na ocasião, foi uma situação
difícil, eu estava começando na
profissão e fiquei desempregado. Mas pensar nas perseguições pelas quais passou
Espinosa me ajudou a compreender e superar a situação , pois hoje veio que aquela
demissão foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida de professor
de filosofia.
O outro orgulho que tenho foi ter
reprovado Flávio Bolsonaro, ele era
inscrito numa disciplina que eu lecionava,
filosofia do direito.
Ele já fazia na época o que faz
hoje : burlava as regras , trapaceava , mentia
, enfim, um dissimulado. Além disso, quase não ia às aulas. Creio que naquela
época ele era funcionário fantasma em Brasília: recebia sem trabalhar. Ser
aluno fantasma era só mais uma faceta do mesmo mau-caratismo.
Querendo talvez despertar medo
nos outros , ele não escondia de ninguém suas ligações com a milícia. Ele até
se gabava disso. Hoje vejo que não o reprovei : fiz justiça. E amanhã meu voto
não é de reprovação a ele , mas de aprovação à democracia, por isso voto em Lula.
Se eu pudesse colocaria em
destaque no meu currículo Lattes a demissão que sofri do tirano teológico-político e a reprovação que fiz do miliciano como exemplos do meu esforço pedagógico
de trazer para a minha prática as ideias que ensino.
