sábado, 1 de agosto de 2026

clínicas...

 

A palavra “clínica”  significa:  “aproximar-se para cuidar”. O bom médico é um clínico quando não nos reduz a um mero objeto no qual está a doença, e sim se aproxima de nossa existência para envolvê-la com cuidados para potencializar nossa saúde.

Clínica é um chegar perto e aproximar-se não apenas no sentido físico, também é   chegar perto animicamente, existencialmente. E para criar uma proximidade assim com o outro, com o mundo e com nós mesmos,  o meio mais adequado é o Afeto.

Sobretudo em épocas nas quais o adoecimento das mentes pela ignorância  se tornou  estratégia de dominação do  poder teológico-político mancomunado com a exploração bélico-capitalista  , nessas épocas os filósofos e artistas  mais necessários são aqueles que também são clínicos.

Eles nos ensinam que a melhor maneira de afastar  a doença não é temendo-a ou odiando-a, mas amar perseverante a saúde, a saúde da mente e do corpo,  e  cultivá-las cotidianamente  nas mais simples ações. Essa forma de cultivo da saúde também é um ato político.

Deleuze é meu pneumologista: é nele que encontro ar quando estou sufocando; Manoel de Barros é meu oculista: é com ele que aprendo a transver o mundo, para assim tentar vislumbrar caminhos por entre esse deserto pedregoso; Fernando Pessoa é meu cardiologista: para manter pulsando, sob o cético coração do adulto, o inocente coração da criança que crê ainda; e Espinosa é meu clínico geral: para desadoecer corpo e mente ante esses tempos distópicos.

Neste momento, desenvolvo uma pesquisa na universidade sobre Espinosa. A partir de setembro, pretendo fazer alguns encontros quinzenais  para falar de Espinosa . Esses encontros serão abertos ao público em geral, presencial e virtualmente. Quem quiser participar/acompanhar  de alguma maneira (serão concedidos carga horária e certificado) , é só falar comigo. Abraços.





Este livro de Nise é apenas uma sugestão de leitura ( tive a alegria de participar , com uma palestra, do evento de lançamento da nova edição desta obra). Para ajudá-la em seu trabalho de cuidados  clínicos, consigo e com os outros, Nise dizia  ter aprendido a seguinte lição com Espinosa: “nossa felicidade e saúde mental depende mais daquilo que fazemos com as mãos do que daquilo que teorizamos com o cérebro”. Mãos que alimentam, mãos que escrevem lições no quadro numa sala de aula, mãos  que pintam, que plantam , que bordam, que partilham, que doam...São mãos mais saudáveis e felizes do que aquelas que apenas imitam armas, como a mão dos fascistas,   ou que  só sabem contar dinheiro, como a mão do “mercado”.