terça-feira, 29 de outubro de 2019

o menino espinosa


Desde adolescente Espinosa ajudava o pai, que era comerciante. Certa vez, o pai de Espinosa lhe pediu que fosse cobrar uma dívida bem atrasada de uma senhora que tinha posses, porém sempre atrasava nos pagamentos, e isto quando pagava...O ainda menino Espinosa bateu à porta da tal senhora, ela apenas entreabriu, viu que era o menino-filósofo e  disse, com um tom de voz meio teatral: “um momento, estou terminando de ler a Bíblia”. Após algum tempo ela abriu a porta,  já passando apressadamente um envelope a Espinosa, dizendo: “ eis o pagamento. Desculpe a demora, primeiro sempre a religião. Nunca se esqueça, meu filho: Deus acima de todos”. Mal sabia aquela senhora que o pai de Espinosa mandou o garoto , e não outro filho mais velho, porque o menino filósofo tinha a arte de ler o que alguns tentam esconder dissimulando na alma, mas que se torna visível  nos gestos do corpo, para quem os sabe ler. O menino  recebeu educadamente o envelope, porém o abriu antes de ir embora e contou as notas, apenas para confirmar o que ele já sabia , dizendo então com firmeza : “minha senhora, o valor está incompleto, está faltando .” Sem dizer nada, mas fechando a cara, a senhora tirou um punhado de notas que escondia no vestido e , com ódio, o passou a Espinosa, logo em seguida batendo a porta. Antes de ir, o menino filósofo ainda ouviu a mulher gritar: “esse menino é o demônio!...”



"Um livro forjado no inferno", era assim que os detratores e perseguidores de Espinosa se referiam ao livro "Tratado teológico-político", no qual Espinosa argumentava  acerca dos imensos perigos para a democracia quando religião e política se unem para se apoderarem do Estado, para assim usarem  a força policial para perseguir quem pensa diferente:




Nenhum comentário: