No âmbito da p0lítica, onde nem
sempre a verdade ou a falsidade são explícitas e evidentes, os políticos se valem
de um artifício argumentativo e retórico: o “verossímil”. Essa palavra
significa: “semelhante ao verdadeiro”.
Quem se apoia no verossímil quer , sobretudo, que aquele que o ouve acredite
nele e considere que aquilo que ele diz é
verdadeiro, e não uma mentira ou falsidade.
Mas esse tipo de estratégia argumentativa-retórica
tem um limite: ela depende do caráter de quem fala e do público que o ouve. Se
for um público desinformado, que não
conhece bem o assunto, enfim, um rebanho incauto ou fanatizado como o das seitas, mesmo
um mau-caráter falando as maiores mentiras conseguirá se passar por um “homem de bem”, ao qual o
público acéfalo dirá “amém”. Ao contrário, se for um público minimamente
informado, informado sobretudo acerca do caráter de quem lhes fala procurando
persuadir, o logro discursivo ficará evidente.
É por essa razão que um discurso verossímil
depende muito do caráter daquele que o diz. Se aquele que fala não têm uma boa
reputação, o que ele dirá não será visto por um público bem informado como
verossímil, mas como pseudossímil: “semelhante ao falso”. Pois aqueles que têm
um caráter falso mais chances têm de dizerem coisas também falsas.
Algo que é semelhante ao
verdadeiro é aceitável como base de uma argumentação, porque é aceitável o
verdadeiro; mas o que é semelhante ao falso não é aceitável, nem como
argumentação, já que o falso não é
aceitável.
O político “esperto” não tenta
fazer passar o falso pelo verdadeiro, pois isso daria muito na pinta, mas
o pseudossímil como se fosse o verossímil. Porém o que parece falsidade não é a
mesma coisa do que o que parece verdade. O que parece falsidade quase sempre o
é, já o que parece verdade pode ser ou não verdade, depende das provas.
Os que argumentam apoiados no
verossímil não temem as provas, mas os que “argumentam” se defendendo com
o pseudossímil agem não visando a verdade, e sim na esperança de
que não sejam achadas as provas de sua falsidade. Sua aparente calma e
segurança advém do fato de que sabem que as provas foram ou destruídas ou muito
bem escondidas, sob o mar, sob a terra ou sob (muito)dinheiro.
O verossímil é o verdadeiro se tentando provar; o pseudossímil é o falso
tentando se dissimular.

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