domingo, 24 de maio de 2026

verdade, falsidade, argumentação e retórica

 

No âmbito da p0lítica, onde nem sempre a verdade ou a falsidade são explícitas e evidentes, os políticos se valem de um artifício argumentativo e retórico: o “verossímil”. Essa palavra significa:  “semelhante ao verdadeiro”. Quem se apoia no verossímil quer , sobretudo, que aquele que o ouve acredite nele e considere  que aquilo que ele diz é verdadeiro, e não uma mentira ou falsidade.

 Mas esse tipo de estratégia argumentativa-retórica tem um limite: ela depende do caráter de quem fala e do público que o ouve. Se for um público  desinformado, que não conhece bem o assunto, enfim, um rebanho  incauto ou fanatizado como o das seitas, mesmo um mau-caráter falando as maiores mentiras conseguirá  se passar por um “homem de bem”, ao qual o público acéfalo dirá “amém”. Ao contrário, se for um público minimamente informado, informado sobretudo acerca do caráter de quem lhes fala procurando persuadir, o logro discursivo ficará evidente.

É por essa razão que um discurso verossímil depende muito do caráter daquele que o diz. Se aquele que fala não têm uma boa reputação, o que ele dirá não será visto por um público bem informado como verossímil, mas como pseudossímil: “semelhante ao falso”. Pois aqueles que têm um caráter falso mais chances têm de dizerem coisas também falsas.

Algo que é semelhante ao verdadeiro é aceitável como base de uma argumentação, porque é aceitável o verdadeiro; mas o que é semelhante ao falso não é aceitável, nem como argumentação,  já  que o falso não é aceitável. 

O político “esperto” não tenta fazer passar o falso pelo verdadeiro, pois isso daria muito na pinta,  mas o pseudossímil como se fosse o verossímil. Porém o que parece falsidade não é a mesma coisa do que o que parece verdade. O que parece falsidade quase sempre o é, já o que parece verdade pode ser ou não verdade, depende das provas.

Os que argumentam apoiados no verossímil não temem as provas, mas  os que “argumentam” se defendendo com o pseudossímil  agem não visando a verdade, e sim  na esperança de que não sejam achadas as provas de sua falsidade. Sua aparente calma e segurança advém do fato de que sabem que as provas foram ou destruídas ou muito bem escondidas, sob o mar, sob a terra ou sob (muito)dinheiro. 
O verossímil é o verdadeiro se tentando provar; o pseudossímil é o falso tentando se dissimular.




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