sexta-feira, 8 de maio de 2026

o aprender a aprender

 

                                             O APRENDER A APRENDER[1]

 

Mais importante do que querer ter poder ( potestas)  para mudar o pensamento dos outros, mais importante é conquistar a potência ( potentia)   para mudar o próprio pensamento. O que em nosso pensamento tem a força para isso? A resposta: a ideia[2]. É a ideia que tem essa potência clínica, cognitiva e afetiva de mudança.

Não a ideia pré-concebida, não a ideia pronta. Aliás, nenhuma ideia autêntica  se mostra pronta como um objeto que se compra feito e acabado. Nenhuma ideia que muda uma vida é comprada ou comprável. A ideia que muda o pensamento não é como a estátua pronta, ela é, antes, como o  instrumento que forja a madeira ou o metal a devirem estátua, obra de arte. Pois mudar o  pensamento nunca é apenas mudar o pensamento, é sobretudo construir um  modo de vida no qual o que pensamos ou falamos se torna nossa prática.

A ideia autêntica muda o pensamento que a pensa e, assim, a aprende. Aprender uma ideia é descobrir a potência de pensar enquanto mudança não apenas do pensamento, mas do modo de vida que nasce dele. Os gregos tinha um nome para esse processo: metanoia.

Não é o pensamento do professor que muda o pensamento do aluno, é o pensar do próprio aluno que , autodespertando-se, muda a si mesmo tornando-se capaz  de ensinar o que aprendeu. Pois é o aprender que é sempre ensinado , só quem aprendeu a aprender ensina esse processo àquele que com ele aprende.



[1] Texto-aula elaborado pelo prof. Elton Luiz.

[2] Em Espinosa, por exemplo, não se deve confundir a ideia com o atributo pensamento. A ideia é ato de pensar , é potência, ao passo que o pensamento é a forma que , como uma membrana, envolve esse processo. É a potência que explica a existência da forma: como uma pele e não como um molde, a forma  envolve a potência, sem limitá-la .

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