O APRENDER A APRENDER[1]
Mais importante do que querer ter poder ( potestas) para mudar o pensamento dos outros, mais
importante é conquistar a potência ( potentia) para mudar
o próprio pensamento. O que em nosso pensamento tem a força para isso? A
resposta: a ideia[2]. É
a ideia que tem essa potência clínica, cognitiva e afetiva de mudança.
Não a ideia pré-concebida, não a ideia pronta. Aliás, nenhuma ideia
autêntica se mostra pronta como um
objeto que se compra feito e acabado. Nenhuma ideia que muda uma vida é
comprada ou comprável. A ideia que muda o pensamento não é como a estátua
pronta, ela é, antes, como o instrumento
que forja a madeira ou o metal a devirem estátua, obra de arte. Pois mudar
o pensamento nunca é apenas mudar o pensamento,
é sobretudo construir um modo de vida no
qual o que pensamos ou falamos se torna nossa prática.
A ideia autêntica muda o pensamento que a pensa e, assim, a aprende.
Aprender uma ideia é descobrir a potência de pensar enquanto mudança não apenas
do pensamento, mas do modo de vida que nasce dele. Os gregos tinha um nome para
esse processo: metanoia.
Não é o pensamento do professor que muda o pensamento do aluno, é o
pensar do próprio aluno que , autodespertando-se, muda a si mesmo tornando-se
capaz de ensinar o que aprendeu. Pois é
o aprender que é sempre ensinado , só quem aprendeu a aprender ensina esse
processo àquele que com ele aprende.
[1]
Texto-aula elaborado pelo prof. Elton Luiz.
[2]
Em Espinosa, por exemplo, não se deve confundir a ideia com o atributo pensamento.
A ideia é ato de pensar , é potência, ao passo que o pensamento é a forma que ,
como uma membrana, envolve esse processo. É a potência que explica a existência
da forma: como uma pele e não como um molde, a forma envolve a potência, sem limitá-la .
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