A FILOSOFIA E O
SEU “FORA”[1]
“Não entre aqui quem
não for geômetra, mas não entre aqui quem só for geômetra”. Essa advertência, como se sabe, estava
afixada na entrada da Academia de Platão. Isso significa que o rigor da
geometria é condição para auxiliar alguém a ser filósofo, porém não basta
apenas isso para alguém ser filósofo.
Mas podemos ampliar seu
sentido , e dizer que em qualquer espaço no qual se ensine filosofia pode-se colocar à sua entrada: “Não entre aqui
quem não for lógico, mas não entre aqui quem só for lógico; não entre aqui quem
não for esteta, mas não entre aqui quem só for esteta; não entre aqui quem não
for epistemólogo, mas não entre aqui quem só for epistemólogo; não entre aqui
quem não for metafísico , mas não entre aqui quem só for metafísico; enfim, não
entre aqui quem não for filósofo, mas não entre aqui quem só for filósofo, e
não ser , enquanto filósofo, historiador, psicólogo, sociólogo, educador,
enfim, poeta.
E a mais importante das
advertências é esta, que também se encontra à entrada da Ética de
Espinosa: não entre aqui quem imagina
que o filosofar está apenas aqui nesse espaço teórico, e ignora que é sempre na
Vida que o pensar está e , vindo de fora, deve acompanhar , como que “conduzindo
pela mão” e sobre as próprias pernas, todo aquele que aqui entra.
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