quinta-feira, 14 de maio de 2026

Platão e o "espírito de comerciante"

 

No livro “A República”, Platão descreve uma situação   que ainda mantém uma preocupante atualidade. Segundo ele,  a sociedade é composta por três classes: aqueles que a devem governar com leis e regras, os que a devem defender  (as  forças de defesa  subordinadas à Constituição) e os que vivem do comércio objetivando  obter ganhos,  lucro e acúmulos.

O perigo que a sociedade corre é quando os comerciantes resolvem querer governar. Não há nenhum problema quando o comércio se exerce limitando-se no comprar e vender coisas . O risco supremo para uma sociedade é quando o espírito de comerciante quer também ser governo.

Pois quando o espírito de comerciante domina   também o Estado ,  tal espírito de comerciante  não mudará seu jeito, e assim ele continuará a fazer a única coisa que  sabe: comprar e vender. Dessa vez, no entanto, virará objeto de comércio coisas que não deveriam ter preço: como as leis , o ensino, as florestas, os mares, a saúde do povo, enfim, o patrimônio público.

E assim , é o próprio povo, ou parcelas dele,  que, em última análise,  será comprado e vendido por um preço que o espírito de comerciante se esforçará para ser o mais baixo, pois quanto mais barato for comprado e vendido o povo,  maior será o lucro de tais comerciantes espúrios com a ignorância.

Porém, temendo um esclarecimento do povo  pela ação dos que não se submetem , o espírito de comerciante sempre se associa com aqueles cujo poder é o da mídia e o das armas, mídia & militares, nascendo assim a tir4nia. A tirania é sempre cívico-militar-midiática: o capital e a mídia hegemônica unido às armas.

Por essas e outras razões, Platão define  assim  a filosofia  : anti-tirania ( seja qual for a  forma de tirania). E se a filosofia não for isso , nada é.

Como os comerciantes de alma de hoje  gostam muito de citar a Bíblia para se esconderem hipocritamente atrás dela para engarem os incautos, segue um trecho adequado para hoje : “O que está oculto sempre aparece”.( Lucas12:2)




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