No livro “A República”, Platão
descreve uma situação que ainda mantém
uma preocupante atualidade. Segundo ele, a sociedade é composta por três classes:
aqueles que a devem governar com leis e regras, os que a devem defender (as
forças de defesa subordinadas à Constituição)
e os que vivem do comércio objetivando obter ganhos, lucro e acúmulos.
O perigo que a sociedade corre é
quando os comerciantes resolvem querer governar. Não há nenhum problema quando
o comércio se exerce limitando-se no comprar e vender coisas . O risco supremo
para uma sociedade é quando o espírito de comerciante quer também ser governo.
Pois quando o espírito de
comerciante domina também o Estado , tal espírito de
comerciante não mudará seu jeito, e assim ele continuará a fazer a única
coisa que sabe: comprar e vender. Dessa vez, no entanto, virará objeto de
comércio coisas que não deveriam ter preço: como as leis , o ensino, as
florestas, os mares, a saúde do povo, enfim, o patrimônio público.
E assim , é o próprio povo, ou
parcelas dele, que, em última
análise, será comprado e vendido por um preço que o espírito de
comerciante se esforçará para ser o mais baixo, pois quanto mais barato for
comprado e vendido o povo, maior será o lucro de tais comerciantes
espúrios com a ignorância.
Porém, temendo um esclarecimento do
povo pela ação dos que não se submetem ,
o espírito de comerciante sempre se associa com aqueles cujo poder é o da mídia
e o das armas, mídia & militares, nascendo assim a tir4nia. A tirania é
sempre cívico-militar-midiática: o capital e a mídia hegemônica unido às armas.
Por essas e outras razões, Platão
define assim a filosofia
: anti-tirania ( seja qual for a
forma de tirania). E se a filosofia não for isso , nada é.
Como os comerciantes de alma de
hoje gostam muito de citar a Bíblia para
se esconderem hipocritamente atrás dela para engarem os incautos, segue um
trecho adequado para hoje : “O que está oculto sempre aparece”.( Lucas12:2)

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