segunda-feira, 2 de março de 2026

No caminho com Maiakóvski

 

“Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

(...)

Nos dias que correm

a ninguém é dado

repousar a cabeça

alheia ao terror."

 

( trecho do poema “No caminho com Maiakóvski", do poeta Eduardo Alves da Costa)

 

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