Nietzsche assim dizia: “Odeio quem rouba minha solidão sem oferecer
verdadeira companhia.” A palavra “companhia” vem de “com-pane”. Em latim,
“pane” é “pão”. Assim, fazer companhia é saber dividir o pão; companheiro : “aquele
com quem dividimos o pão.”
Não apenas o pão físico, aquele que mata a fome do corpo, mas sobretudo
os pães da mente , os pães do espírito, os pães do afeto, pães esses que matam
outro tipo de fome: fome por dignidade, fome por justiça, fome por
conhecimento.Desses pães ninguém é o dono, são pães que não se compram ou
vendem no mercado, são pães que não têm preço.
Nietzsche chama de “dualidão” quando duas solidões, sem perderem a
singularidade de cada uma, decidem, por
liberdade, andarem e viverem juntas. Em carta a Overbeck, Nietzsche afirma que , ao ler Espinosa, não
viu sua solidão roubada, mas acrescida por uma outra solidão singular como a
sua. Enfim, uma “dualidão”.
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