sexta-feira, 13 de março de 2026

A "dualidão"

 

Nietzsche assim dizia: “Odeio quem rouba minha solidão sem oferecer verdadeira companhia.” A palavra “companhia” vem de “com-pane”. Em latim, “pane” é “pão”. Assim, fazer companhia é saber dividir o pão; companheiro : “aquele com quem dividimos o pão.”

Não apenas o pão físico, aquele que mata a fome do corpo, mas sobretudo os pães da mente , os pães do espírito, os pães do afeto, pães esses que matam outro tipo de fome: fome por dignidade, fome por justiça, fome por conhecimento.Desses pães ninguém é o dono, são pães que não se compram ou vendem no mercado, são pães que não têm preço.

Nietzsche chama de “dualidão” quando duas solidões, sem perderem a singularidade de cada uma, decidem,  por liberdade, andarem e viverem juntas.  Em carta a Overbeck,  Nietzsche afirma que , ao ler Espinosa, não viu sua solidão roubada, mas acrescida por uma outra solidão singular como a sua. Enfim, uma “dualidão”.

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