sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O antídoto ao reducionismo é a pluralidade.

 

Em geral, os racionalistas reduzem o pensar ao conhecer, reduzindo o todo a uma de suas partes, isto é, a filosofia à teoria do conhecimento. Esse reducionismo não só retira do pensar sua potência própria, como também ignora que o pensar não é atividade exclusiva da filosofia, uma vez que o pensar pode ser expresso também nas artes.

Há ainda outro reducionismo tão ou mais limitador e pernicioso: o de reduzir o afeto e o sentir ao mero sentimento, como o fizeram os românticos. Nesse sentido, racionalistas e românticos de todas as épocas  formam as duas faces da mesma moeda.

Esse fenômeno duplamente redutor operado pelo par racionalismo-romantismo revela , por mais paradoxal que seja, o quanto racionalistas e românticos estão próximos, uma vez que o racionalista, em seu credo “objetivista”,  confunde o afeto com o sentimento meramente subjetivo, nesse aspecto sendo romântico; e o romântico combate a razão porque confunde o pensar com o conhecer, tomando este por aquele, como faz o racionalista.

O que racionalistas e românticos ignoram é que não há pensar sem afeto, e que o afeto potencializa o pensar, ampliando o conhecer para além do mero racionalismo e libertando a sensibilidade do  emotismo subjetivista.

É sobretudo na arte que o pensar e afeto se agenciam e se somam,  expressando  uma  potência emancipadora ao mesmo tempo singular e plural, ensejando  perspectivas  pedagógicas, clínicas e políticas criativas, sem deixarem de ser críticas .

E quando na filosofia pensar e afeto são afirmados assim  , a própria filosofia se converte em arte de pensar, isto é, poiésis.

 

 

 

 

 

( este livro é apenas uma referência para quem quiser saber mais sobre o tema)


Nenhum comentário: