Espinosa talvez tenha sido o filósofo
mais perseguido e ameaçado .
Os poderes estabelecidos o etiquetaram como “perigoso” e “subversivo”. É
conhecido o episódio em que Espinosa foi “julgado”, “condenado” e expulso da
comunidade judaica de então. Seu crime: filosofar, pensar.
Segue um trecho da excomunhão:
“Nós Excomunhamos, apartamos,
amaldiçoamos e praguejamos a Baruch de Espinosa, (...) com todas as maldições
que estão escritas na Lei. Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito
seja em seu deitar e maldito seja em seu levantar, maldito ele em seu sair e
maldito ele em seu entrar. (...) Advertindo que ninguém lhe pode falar
oralmente nem por escrito, nem lhe fazer nenhum favor, nem estar com ele
debaixo do mesmo teto, nem ler papel algum feito ou escrito por ele.”
Mas o que pouco se divulga é que esse julgamento também foi, em sua essência,
polític0, ou melhor, te0lógico-polític0.
As autoridades religiosas que o julgaram eram, em sua maioria, simpatizantes da
mon4rquia, cujo discurso era belicista, intolerante , col0nialista.
Essas autoridades religiosas
sabiam que Espinosa mantinha laços com os democratas holandeses de então , e
que sua filosofia era uma afirmação da
democracia e do pensamento livre .
Então, Espinosa foi julgado pelos inimigos do pensamento e da filosofia. E esses
inimigos do pensamento de ontem são os mesmos de hoje, só mudam os nomes. Na
verdade, nem julgamento foi, já que Espinosa já estava, de antemão, condenado.
Recentemente , as autoridades científicas
, religiosas e políticas de Israel reexaminaram a excomunhão de Espinosa ( pois
ela ainda está em vigor!). Os cientistas e políticos
judeus não sionist4s queriam revogá-la,
mas foram vencidos pelos religiosos e políticos fundamentalistas de Israel,
todos sionist4s e ligados ao gen0cida Netanyahu, o acumpliciado do paranoic0
Trump, ídolo de Flávio Bolson4ro.
Não tenho nenhum prazer em
reprovar aluno. Porém, mais do que
prazer, tenho a sensação de dever cumprido e coerência com o que ensino ter
reprovado Flávio Bolsonaro, pois ele foi meu “aluno” em uma faculdade de direito na qual eu lecionava
Ética e Filosofia do Direito.
Coloquei “aluno” entre aspas
porque ele não foi bem meu aluno. Raramente ele comparecia às aulas. Quando comparecia, ficava a aula toda com expressão debochada e desdenhosa em relação
aos temas de ética.
Espinosa era um dos autores que
eu ensinava. Flávio Bolsonaro tirou zero
na avalição que fiz e que tinha por tema a Ética de Espinosa. Foi o zero mais
justo que dei em toda minha vida.
( este livro é apenas uma
sugestão)

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