sábado, 11 de abril de 2026

O julgamento de Espinosa

 

Espinosa talvez tenha sido o filósofo mais perseguido e ameaçado  . Os poderes estabelecidos o etiquetaram como “perigoso” e “subversivo”. É conhecido o episódio em que Espinosa foi “julgado”, “condenado” e expulso da comunidade judaica de então. Seu crime: filosofar, pensar.

Segue um trecho da excomunhão:

“Nós Excomunhamos, apartamos, amaldiçoamos e praguejamos a Baruch de Espinosa, (...) com todas as maldições que estão escritas na Lei. Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja em seu deitar e maldito seja em seu levantar, maldito ele em seu sair e maldito ele em seu entrar. (...) Advertindo que ninguém lhe pode falar oralmente nem por escrito, nem lhe fazer nenhum favor, nem estar com ele debaixo do mesmo teto, nem ler papel algum feito ou escrito por ele.”

Mas o que pouco se divulga  é que esse julgamento também foi, em sua essência, polític0, ou melhor,  te0lógico-polític0. As autoridades religiosas que o julgaram eram, em sua maioria, simpatizantes da mon4rquia, cujo discurso era belicista, intolerante , col0nialista.

Essas autoridades religiosas sabiam que Espinosa mantinha laços com os democratas holandeses de então , e que sua filosofia  era uma afirmação da democracia e do pensamento livre .

Então, Espinosa foi julgado  pelos  inimigos do pensamento e da filosofia. E esses inimigos do pensamento de ontem são os mesmos de hoje, só mudam os nomes. Na verdade, nem julgamento foi, já que Espinosa já estava, de antemão, condenado.

Recentemente , as autoridades científicas , religiosas e políticas de Israel reexaminaram a excomunhão de Espinosa ( pois ela ainda está em vigor!). Os cientistas e   políticos judeus  não sionist4s queriam revogá-la, mas foram vencidos pelos religiosos e políticos fundamentalistas de Israel, todos sionist4s e ligados ao gen0cida Netanyahu, o acumpliciado do paranoic0 Trump, ídolo de Flávio Bolson4ro.

Não tenho nenhum prazer em reprovar aluno.  Porém, mais do que prazer, tenho a sensação de dever cumprido e coerência com o que ensino ter reprovado Flávio Bolsonaro, pois ele foi meu “aluno”  em uma faculdade de direito na qual eu lecionava Ética e Filosofia do Direito.

Coloquei “aluno” entre aspas porque ele não foi bem meu aluno. Raramente ele comparecia  às aulas. Quando comparecia, ficava a aula  toda com expressão debochada e desdenhosa em relação aos temas de ética.

Espinosa era um dos autores que eu ensinava. Flávio Bolsonaro  tirou zero na avalição que fiz e que tinha por tema a Ética de Espinosa. Foi o zero mais justo que dei em toda minha vida.


( este livro é apenas uma sugestão)



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