terça-feira, 7 de abril de 2026

A corrida entre a Inteligência e o Amor

La Fontaine conta uma história na qual Atena, a Inteligência, e Eros , o Amor, disputavam uma corrida. Atena saiu na frente, parecia que venceria...Até que ela vê pela frente um abismo, e para. Então, ela vê algo que passa voando por cima de sua cabeça : apoiado em suas asas, Eros vence o abismo e chega do outro lado. O abismo que parou a Inteligência, não foi capaz de deter o Amor. 
 Atena subiu até ao Olimpo para queixar-se de Eros, alegando que ele trapaceou. Eros estava em desvantagem naquele lugar , já que ele não pertencia à aristocracia do Monte Olimpo, uma espécie de “Altar”. E o Amor não tem “Altar”, a não ser o coração de quem o cultiva como principal Afeto. 
 Os deuses do Olimpo tomaram partido de Atena e condenaram Eros. Como sentença, Zeus determinou que Eros ficasse cego. A punição foi aplicada e o Amor ficou cego... 
Mas Afrodite interveio em favor de Eros e pediu a Zeus para que fosse concedida uma bengala para o Amor. Zeus, porém, argumentou que não condizia com o Amor depender de uma bengala. Se o amor para ser vivido depender de propriedades, fama, poder, riqueza e outras “bengalas” desse tipo, então já não é mais amor, e sim interesse, conveniência, aparência. E nada disso condiz com Eros em seu sentido originário. 
 Desejando fazer justiça, Zeus se recusou a fazer o Amor depender de “bengalas”, porém não podia desfazer a sentença. Assim, Zeus considerou que seria justo o Amor ter não uma bengala, mas um “guia”. Mas quem poderia ser o guia do Amor e não tolher suas asas? Somente a Mania Divina poderia ser esse "guia". 
Em grego, “mania” é “loucura”. A “mania” é uma espécie de “desmedida”. Existe a mania enquanto loucura humana, como a loucura desmedida por dinheiro, fama, poder. Essa loucura humana é doença. Mas existe a Mania Divina enquanto guia daqueles que amam realidades das quais dinheiro, fama e poder nunca serão a medida. Para Platão, é essa Loucura Divina que guia o poeta à poesia e o filósofo à filosofia. E para alcançar tais coisas, pés não bastam: é preciso asas.

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