Para Espinosa , deus não criou o mundo do nada , tampouco é rodeado pelo nada. Para Espinosa, o nada é uma negação imaginativa-reativa feita pelos que ignoram o que é a natureza.
O nada não existe
ontologicamente, mas apenas
antropologicamente: é a imaginação reativa do homem que cria o nada ( "nihil", em latim).
Nem sempre esse nada aparece com seu nome original, mas com outros nomes. “Paraíso” e “Inferno”, por exemplo, são alguns nomes que encobrem esse nada. Até mesmo “Deus” ( esse “Deus” que Flávio Bolsonaro quer reduzir a cabo eleitoral seu) também pode ser o nome desse nada, quando se faz de Deus um ente que castiga, que pune, ou seja, um deus vingativo e preconceituoso que escolhe um povo em detrimento de toda a humanidade.
O poder teológico-político cultua esse nada, muitas vezes em templos de ouro ( nada tendo a ver, portanto, com o Deus simples, amoroso e modesto de Francisco...).
E quem cultua nadas assim se agrilhoa na imaginação passional-reativa, passando a viver no medo, na ignorância, na credulidade incauta, no ódio e na superstição, todas
características de uma mente infantilizada que não sabe governar a si mesma,
sempre precisando de um profeta, de um “messias”, de um “eleito”, enfim, de um
“tirano” que os sujeite a viver como rebanho.
À sua época, Espinosa assim já
diagnosticava aquilo que hoje se chama “niilismo”.
Uma das referências do texto é este livro de Espinosa, sobretudo o Capítulo III : "Que Deus é causa de tudo".

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